Vitorino Nemésio

A 19 de Dezembro de 1901, nascia na Ilha Terceira, no arquipélago dos Açores, Vitorino Nemésio Mendes Pinheiro da Silva, que vira a ficar conhecido pelos seus primeiros dois nomes, Vitorino Nemésio, devido às suas obras como poeta, ficcionista, ensaísta, cronista e crítico literário português.

Vida Académica de Vitorino Nemésio

Foi nos anos de 1911 e 1912 que Vitorino Nemésio frequentou o liceu de Angra, onde desde logo começou a manifestar a sua vocação de poeta e prosador.

A sua obra de estreia foi o livro de versos Canto Matinal, lançado em 1916.

Em 1919, depois de um desaire escolar, Vitorino Nemésio iniciou o serviço militar como voluntário, partindo para o continente.

Vitorino Nemésio (Autor: José Luís Ávila Silveira)

Vitorino Nemésio (Autor: José Luís Ávila Silveira)

Foi no ano seguinte que este lançou a peça em um ato Amor de Nunca Mais e a poesia de A Fala das Quatro Flores. Já em 1921, em Lisboa, Vitorino Nemésio iniciou-se na atividade jornalística, como redator das revistas A Pátria, a Imprensa de Lisboa e Última Hora.

No ano seguinte, em 1922, ele concluiu os estudos do liceu em Coimbra e matriculou-se na Faculdade de Direito, onde foi convidado para servir como revisor da Imprensa da Universidade, acabando por aí publicar o poema Nave Etérea.

Não contente com o curso que estava a tirar, decide transitar para o curso de Ciências Geográficas e, posteriormente, para Filologia Românica.

Mais tarde, Vitorino Nemésio colaborou na fundação de Tríptico, em Seara Nova e na Presença. Chegou até mesmo a corresponder-se com Unamuno, acabando por se doutorar apenas em 1934, com uma tese subordinada ao tema A Mocidade de Herculano até à Volta do Exílio.

Vida Profissional e Artística de Vitorino Nemésio

Após o doutoramento, Vitorino nemésio foi convidado para trabalhar como leitor de Português na Universidade de Montpellier, onde conviveu com Marcel Bataillon, Robert Ricard, Pierre Hourcade, e ainda iniciou correspondência com Valéry Larbaud.

Em 1936, Vitorino nemésio publicou La Voyelle Promise, em francês, e em 1936, concorreu ao cargo de professor auxiliar da Faculdade de Letras de Lisboa, com uma tese intitulada Relações Francesas do Romantismo Português.

Em 1937, Vitorino Nemésio juntamente com Alberto Serpa, fundaram a Revista de Portugal, uma revista eclética, que se mostrava atenta à atualidade filosófica e literária europeia.

Enquanto docente universitário, ele estagiou em França, na Bélgica, no Brasil, em Espanha, na Holanda, sendo até mesmo distinguido com o grau de Doutor Honoris Causa pelas Universidades de Montpellier e de Ceará.

Entre 1938, ano em que foi publicado O Bicho Harmonioso, e 1976, ano em que publicou Sapateia Açoriana, desenvolveu uma intensa atividade poética que se afirma pela novidade relativamente ao cânone presencista, sendo que explorou as dimensões simbólica e imagética da linguagem, saboreada na sua materialidade, comedindo qualquer confessionalismo por um distanciamento irónico ou objetivo, características que se tornam recorrentes na sua obra ficcional, que, embora pela linearidade do tempo e pelo poder de representação dos espaços sociais se enquadre nos moldes realistas, acaba por se complexificar pela rede de imagens de alcance simbólico que a entretecem.

Sendo um homem notável como crítico e como autor, Vitorino Nemésio manteve-se equidistante dos grupos que constantemente disputavam o espaço literário ao longo da primeira metade do século XX, e, embora refletisse na poesia e na prosa vertentes estéticas contemporâneas como o imagismo, o surrealismo e o existencialismo, Vitorino Nemésio manteve-se fiel à consciência de que a criação resulta, não de dogmas, mas de uma pluralidade que integra, como a existência, a contradição, o imprevisto e a renovação.

Das várias obras que Vitorino nemésio escreveu, merecem ser destacadas as seguintes (por ordem cronológica): Festa Redonda (1950), Nem Toda a Noite a Vida (1952), O Pão e a Culpa (1955), O Verbo e a Morte (1959), O Cavalo Encantado (1963), Canto da Véspera (1966).

Merece ainda destaque o romance Mau Tempo no Canal, escrito em 1944, e que viria a servir de base para uma série realizada para a RTP Açores, por José Medeiros e que acabaria por ser apresentada, posteriormente, noutros canais. Em 1966, Vitorino Nemésio recebeu o Prémio Nacional de Literatura.

Vitorino Nemésio acabaria por falecer a 20 de fevereiro de 1978, em Lisboa, no Hospital da CUF e foi sepultado em Coimbra, no cemitério de Santo António dos Olivais, sendo que, assim como havia pedido ao seu filho, os sinos não tocaram o dobre a finados, mas sim, o Aleluia.

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