Sancho I de Portugal
D. Sancho I de Portugal (11-11-1154 a 26-03-1211), quarto filho de Afonso Henriques, sucedeu o seu pai no trono, tornando-se assim no segundo Rei de Portugal.
No entanto, a sua coroação acaba apenas por acontecer devido à morte prematura do seu irmão mais velho e legítimo aspirante ao trono. Até então D. Sancho respondia pelo nome de Martinho e a mudança ocorre precisamente quando se posiciona como herdeiro do trono de Portugal, posição que o obriga a adoptar uma onomástica com um nome mais hispânico.
Pela sua acção governativa, D. Sancho I conquistou o cognome de “O Povoador” pelo estímulo que deu ao povoamento de locais remotos do reino, nomeadamente na actual zona de Trás-os-Montes e da Beira Interior, região onde chegou mesmo a fundar a cidade da Guarda em 1199.
Ao longo do seu reinado, Sancho I dedicou grande parte do seu esforço a organizar administrativa e financeiramente o reino, apostando na criação de indústrias e no desenvolvimento da classe média de comerciantes e mercadores.
Para a história ficou o tesouro que conseguiu amealhar durante o seu reinado, criando assim as condições para que o jovem reino de Portugal pudesse caminhar firme no sentido da sua afirmação.
Militarmente centrou as suas atenções na luta contra os mouros, dando por terminada a guerra transfronteiriça pela região da Galiza que o seu pai tinha iniciado.
A partir de Coimbra, liderou o seu exército nos avanços para o Sul de Portugal, tendo mesmo chegado a alcançar sucessos consideráveis como a conquista de Silves, naquele tempo uma cidade com mais de 20 mil habitantes e de uma importância vital. Fruto destas acções passou a intitular-se Rei de Portugal e dos Algarves.
Esta vitória seria, no entanto, efémera já que a cidade de Silves, bem como outros territórios conquistados por essa altura, viriam a ser perdidos de novo para os exércitos árabes, muito por culpa do contínuo assédio feito às fronteiras do reino pelo Rei de Leão e Castela que continuava a não querer aceitar a independência de Portugal.
D. Sancho via-se obrigado a dividir as suas forças nestas duas frentes militares, o que lhe limitou sempre os avanços territoriais que pretendia para o reino.
Num plano mais pessoal, D. Sancho I ficou também conhecido pelo gosto que nutria pelas artes e pela literatura, tendo mesmo chegado a deixar publicados vários livros de poemas da sua autoria e a patrocinar a ida de estudantes portugueses para várias universidades estrangeiras.
O seu túmulo encontra-se no Mosteiro de Santa Cruz, em Coimbra, ao lado do túmulo do seu pai, Afonso Henriques. Foi sucedido no trono por Afonso II, seu filho.
