Ruínas Romanas do Milreu

Quando um turista visita o Algarve, geralmente parte à procura de calor, praias e movimento e não as Ruínas Romanas de Milreu.

Na verdade, esta é uma das regiões turísticas portuguesas mais conhecidas além fronteiras.

Procurado principalmente pelos povos do norte da Europa, o Algarve chega a ser mais inglês do que português em determinadas épocas do ano.

No entanto, são também muitos, aliás, devido à crise económica que o país atravessa, são cada vez mais os portugueses que se refugiam no Algarve para fazer férias.

Mas, ao contrário do que muitos pensam, o Algarve não vale a pena só devido às suas praias e aos divertimentos associados ao Verão.

Por exemplo, a vila de Estói é uma vila histórica encantada, escondida num Algarve que não corresponde ao ideal de praia, estâncias turísticas e golfe.

Esta pequena mas rica localidade que fica apenas a alguns quilómetros de distância de Faro, tem uma atracção que ninguém que visite o Algarve deveria perder.

Quando você for fazer umas férias no Algarve, dirija-se a Faro e encontrará indicações para Estói. Aí, procure o caminho que vai dar às ruínas romanas de Milreu.

Sendo visitado por aproximadamente 12000 pessoas por ano, este monumento nacional foi em tempos um lugar reservado à exploração agrícola, que englobava também uma área de residência rural.

Esta área, que inicialmente era relativamente pequena, foi crescendo e crescendo, sendo que vários donos de terras abastados vieram para Estoi e começaram a construir grandes casas, decoradas luxuosamente com azulejos e mármore, sendo que esses elementos ainda podem ser vistos hoje.

O único inconveniente que existe para quem visita este espaço tão especial é relativo à falta de meios para a visita por parte de pessoas com dificuldades motoras.

É verdade que existem rampas de acesso mas, mesmo assim, a movimentação de cadeiras de rodas no espaço arqueológico é extremamente difícil.

História das Ruínas Romanas do Milreu

As Ruínas Romanas do Milreu foram descobertas em 1877 pelo arqueólogo Estácio da Veiga, tendo-se dado início nesse mesmo ano às suas escavações.

Nos nossos dias, as Ruínas Romanas do Milreu são um dos vestígios mais importantes, senão o mais importante, da presença romana no Algarve.

Estas Ruínas Romanas do Milreu representam um conjunto arqueológico imponente que foi classificado como monumento nacional no ano de 1910.

Imagem das Ruinas Romanas do Milreu (Autor: João Carvalho)

Imagem das Ruinas Romanas do Milreu (Autor: João Carvalho)

Aquilo que hoje pode ser encontrado no local é o que resta da luxuosa villa rural, que no século III foi transformada numa próspera exploração agrícola, mas que no século VI abandonou o seu estatuto pagão para passar a servir a igreja cristã, tendo mais tarde também sido usada como cemitério islâmico.

No século X, este local foi abandonado após as abóbadas ruírem, vindo novamente a ganhar vida apenas no início do século XVI, quando, sobre as ruínas, foi erguida uma casa.

Esta é também um exemplar algarvio único e precioso de arquitectura civil com contrafortes cilíndricos.

Este legado histórico das Ruínas Romanas do Milreu existente em Estói foi recuperado e, hoje em dia, a Casa Rural das Ruínas, que foi transformada em centro de interpretação, permite ter uma ideia real de como os romanos passariam o seu tempo, na época em que escolheram o Algarve para viver e repousar.

Nas Ruínas Romanas do Milreu podem ser observados a descoberto uma casa senhorial, instalações agrícolas, um lagar de vinho, um balneário e um templo que foi um centro de culto privado, dedicado às actividades aquáticas, e cuja construção remonta ao século IV.

Além disso, podem ser observados também dois mausoléus e um peristilo com 22 colunas, que ladeia um pátio aberto, com jardim e um tanque de água.

É também notável o fato de todas as dependências da habitação apresentarem sinais de embelezamento propositado com mármores e mosaicos de motivos diversos.

A antiga vila romana de Milreu possuía também uma excelente rede de abastecimento de água, salas aquecidas e termas do lado poente, onde ainda se podiam observar decorações de ladrilhos coloridos representando a fauna marinha.

Os peixes aí representados eram exageradamente gordos, com o objectivo intencional de se criar a ilusão óptica das suas dimensões reais e do movimento, quando observados através da água. Estes são apenas pormenores, mas ajudam-nos a notar o requinte com que viviam os habitantes de Milreu.

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