Romantismo

O Palácio de Monserrate é um exemplo de Romantismo (By: Pedro Ribeiro Simões)

O Palácio de Monserrate é um exemplo de Romantismo (By: Pedro Ribeiro Simões)

Dá-se o nome de Romantismo ao movimento artístico que surgiu em finais do século XVIII na Europa e que continuou a ter uma grande influência durante praticamente todo o século XIX.

História do Romantismo

No princípio, o Romantismo não passava de uma atitude, a vontade de contrariar os ideais racionalistas e iluministas por impor as suas próprias ideias, normalmente mais liberais.

Mas, com o passar do tempo, o Romantismo acabou por tornar-se num movimento que centrava a atenção das pessoas no homem como sendo centro do mundo.

Ao passo que o Iluminismo tinha como principal caraterística a objetividade racional, no Romantismo o autor passa a ter liberdade para expressar as suas vontades e desejos, falar sobre dramas e amores trágicos, tornando tudo subjetivo e lírico.

Com a queda dos ideais absolutistas, todos passaram a ansiar a liberdade de expressão.

Assim, a Europa passou a ser governada por governos liberalistas. Ao mesmo tempo, nas artes, os autores passaram a desejar ter liberdade para fazerem aquilo que lhes apetecia e escreverem sobre o que bem entendessem sem que houvesse limites à sua imaginação.

Estágios do Romantismo

O Romantismo poderá ser dividido em três estágios diferentes.

No primeiro estágio, o autor guiava-se pelo lirismo, pelo subjetivismo e pelo sonho. Procurou-se glorificar heróis do passado e contar histórias medievais que engrandeciam a nação. Além disso, o artista usava a mulher como musa inspiradora. A mulher ideal um objeto que deveria ser observado, desejado, venerado, mas que nunca poderia ser tocado.

No segundo estágio, o autor passa a ser tocado por um certo pessimismo e até pelo gosto por temas como a morte, pela religiosidade e pelo naturalismo. A mulher deixa de ser intocável, passando a ser um objeto que pode ser alcançado. No entanto, o autor nunca atinge a felicidade.

No terceiro estágio, o autor passa a ser realista, fala sobre coisas reais e enfatiza os males da sociedade, muitas vezes de forma irónica, para dar a conhecer a todos as reais fragilidades da sociedade. A mulher ideal como musa inspiradora passa a ser alguém a quem o comum dos mortais poderá aceder.

Caraterísticas do Romantismo

Na literatura, o movimento Romântico era caraterizado por diversas formas de estilo, entre as quais o individualismo, o subjetivismo, o sentimento exacerbado, o egocentrismo, a idealização, o mediavalismo, a interação da natureza com o eu lírico e o contraste entre o grotesco e o sublime.

Na arte, o Romantismo acaba por se confundir com o Neoclassicismo com a diferença que, ao passo que o romantismo observa o mundo exterior de forma subjetiva, no caso do Neoclassicismo, observa-se o mundo exterior de forma objetiva. Nas telas passamos a observar expressos sentimentos através de um turbilhão de cores em imagens sobre coisas reais mas, que são pintadas de forma realista e por vezes até exagerada. Fenómenos naturais, ambientes exóticos e ambientes selvagens… No fundo toda a natureza era tema para ser desenvolvido pelo artista romântico.

Na música, assistimos ao nascimento de grandes compositores que procuram revelar os seus sentimentos pessoais, as suas emoções e a genialidade. Entre os grandes compositores românticos, poderemos citar nomes como Beethoven, Verdi, Wagner, Chopin, Tchaikovski, Mendelssohn, Grieg, Brahms e Liszt, entre outros.

Romantismo em Portugal

Portugal foi um dos últimos países da Europa onde o Romantismo emergiu. Na literatura, assistimos ao seu nascimento já em finais do século XVIII. No entanto, nas artes e na política, o Romantismo apenas surgiu na década de 1830, em grande parte devido a algumas condicionantes tais como a Guerra Peninsular, a fuga da Família Real para o Brasil e a independência do Brasil. Assim, apenas após a estabilização da conjuntura nacional se assistiu à explosão do movimento romântico em Portugal.

Na arquitetura surgiram novos estilos que, apesar de terem como base os anteriores, conferiam a estes uma certa modernidade realística. Alguns dos estilos do movimento Romântico em Portugal foram o Neomanuelino (Convento de Cristo em Tomar, Palácio da Pena, Palácio do Buçaco e Estação do Rossio), o Neogótico (Elevador de Santa Justa, Capela dos Pestanas no Porto e Igreja de Reguengos de Monsaraz), o Neoárabe (Praça de Touros do Campo Pequeno, Quinta do Relógio e o Salão Nobre do Palácio da Bolsa no Porto).

Um dos elementos mais notáveis do Romantismo são os Jardins da época. Normalmente são jardins à inglesa, muitos deles totalmente projetados por ingleses. Um notável exemplo é o dos Jardins do Palácio da Pena, Palácio de Monserrate e o Palácio da Regaleira, todos eles em Sintra. Normalmente esses jardins são compostos de variadas espécies de plantas exóticas que se integram bem em Portugal devido ao clima ameno que aí se faz sentir.

Apesar de o movimento Romântico ter entrado já tarde em Portugal, muitas das mais belas construções, obras de arte e da literatura portuguesa disponíveis nos nossos dias são de influência Romântica.

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