Quinta Vale de Flores

A Quinta Vale de Flores foi edificada na Freguesia de Santa Iria da Azóia, no Concelho de Loures sobre uma superfície bastante desnivelada.

Este património encontra-se classificado como Imóvel de Interesse Público, desde de 1982, permanecendo ao abandono e em estado avançada degradação e “sem retorno”.

A quinta foi outrora mutilada e reduzida para dar lugar à caótica IC12, e também devido às alienações voluntárias para edificação.

Esta quinta é um exemplar importante da arquitectura civil portuguesa do século XVII, seguindo o estilo de vila italiana do Renascimento, o que a distingue das tendências medievais e à tradicional casa portuguesa.

Os seus materiais de construção foram alvenaria rebocada, cantaria, calcário, argamassa, madeira e azulejos.

O seu acesso é feito através da Rua de Valflor, junto às escadinhas da fonte, em Via Rara.

Cronologia da Quinta Vale de Flores

1537

Este paço rural foi mandado edificar por Jorge de Barros, feitor de D. João III na Flandres, pouco tempo depois de voltar a Portugal, em 1537.

O paço foi construído com base na fortuna que acumulou como mercador, que valia na altura mais de 300 mil cruzados, sendo uma das maiores fortunas acumuladas na época (FREIRE: 1927, p. 64).

As suas ordens eram explicitas e o objectivo era construir um paço rural na tradição das moradias régias e nobres medievais com alguma influência renascentista.

A Quinta Vale de Flores é mais tarde herdada por D. Luísa de Barros, a filha de João de Barros, que casou com um nobre desaparecido na famosa Batalha de Alcácer Quibir.

Imagem da Quinta Vale de Flores

Imagem da Quinta Vale de Flores

O palácio fica nas mãos da família durante as próximas 9 gerações. No século XIX segundo Braancamp Freire, D. Pedro Climaco de Alcântara de Barros e Vasconcelos perde o paço devido às duas dívidas, ficando o palácio nas mãos de um brasileiro.

1870

A Quinta Vale de Flores assim como outras propriedades na freguesia são adquiridas pela família inglesa Reynolds, que passou a arrendar o palácio.

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1899

Anselmo Braancamp Freire reporta o palácio estar num estado de conservação aceitável.

1978

Sob proposta da Comissão Organizadora do Instituto de Salvaguarda do Património Cultural e Natural e com Despacho do Secretário de Estado da Cultura a Quinta Vale de Flores é classificada como Imóvel de Interesse Público, sendo efectuados vários estudos a fim de definir as Zonas Especiais de Protecção.

1979

É avaliado o estado precário da Quinta Vale de Flores por parte da DGEMN, que aponta as várias necessidades com o objectivo de evitar a ruína deste paço rural. Nesse mesmo ano a SEC (DG do Património Cultural), notifica através da Câmara Municipal de Loures o estado precário do imóvel ao seu proprietário.

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1980

Em Fevereiro de 1980 o edifício é analisado por técnicos da DGEMN e da Câmara Municipal de Loures, surgindo um plano de intervenção, que passaria pela consolidação estrutural e reconstrução das coberturas e restauro dos tectos primitivos pois do tecto mudéjar nada restava.

1982

É definida a primeira Zona Especial de Protecção.

1997

É efectuado um Despacho do Ministro da Cultura de 16 de Setembro onde é fixada uma nova Zona Especial de Protecção.

1998

A quinta é amputada devido à IC10.

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2000

A propriedade deixa de ser zona de exploração económica agrícola e o estado de ruína começa a acentuar-se devido ao abandono mais evidente.

2001

O colunelo é abatido e recolhido pela Associação de Defesa do Património Ambiental e Cultural de Santa Iria da Azóia. Em 24 de Setembro deste ano dá-se a derrocada parcial da vasta arcada do 2º piso da fachada principal.

2005

O processo de aquisição do imóvel por parte da Câmara Municipal de Loures entra em curso.

2006

O imóvel é finalmente adquirido pela Câmara Municipal de Loures.

Curiosidades da Quinta Vale de Flores

  • A varanda do edifício ruiu à 2 anos atrás. Este era o traço arquitectónico mais evidente para quem passava na IC12.

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  • O interior do palácio foi pintado de azul celeste pelo proprietário brasileiro de nome desconhecido, amplificando ainda a beleza deste pelo património.

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Imagens da Quinta Vale de Flores

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Publicado em Casas Senhoriais de Portugal
4 comentários sobre “Quinta Vale de Flores
  1. NSRts76 disse:

    Conheci muito bem este Palácio da minha infância à minha juventude devido à relação de amizade entre a minha família e os rendeiros.

    Ainda sinto um nó na garganta por ver o estado degradado do meu Monumento preferido.

    É pena que as arcadas da varanda que ruíram tenham tido ajuda para que tal sucedesse e os responsáveis não fossem chamados a prestar contas pela destruição causada.

  2. Eukelade disse:

    Obrigado pelo comentário! É sempre bom saber informações dos locais.

  3. Amca de Barros disse:

    Um povo que assim deixa maltratar o seu património, renegando a sua História e referências, não poderá nunca queixar-se de se ver ostracizado e ridicularizado pela Comunidade Internacional.
    O Fado, os Cantares Alentejanos e pasteis de Belém são coisa pouca para suster este cada dia mais pobre Portugal.

  4. pedro pacheco disse:

    pergunta para NSRts76:

    Por acaso não tem nenhuma foto do interior da casa da altura que a conheceu?…
    obrigado…

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