Primeira Travessia Aérea

Imagem de Gago Coutinho e Sacadura Cabral (Autor: Imagem em domínio público)

Imagem de Gago Coutinho e Sacadura Cabral (Autor: Imagem em domínio público)

Se é verdade que os portugueses são reconhecidos internacionalmente como grandes navegadores, estando a sua história ligada aos mares, é também verdade que coube a uma dupla de portugueses realizar a primeira travessia aérea do Atlântico Sul, ligando Lisboa ao Rio de Janeiro.

Os autores da primeira travessia aérea foram Gago Coutinho e Sacadura Cabral, sendo este acontecimento um dos grandes marcos impulsionadores da aviação em Portugal.

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Antecedentes à Primeira Travessia Aérea

A ideia da primeira travessia aérea veio do espírito de aviador de Sacadura Cabral, quando o presidente da República do Brasil, Epitácio Pessoa, fez uma visita oficial a Portugal.

Foi então que Sacadura iniciou assim a delinear o seu objectivo, vindo posteriormente a aliar-se com Gago Coutinho, aliciado pelo estudo que este estava a realizar sobre a conversão à aeronavegação de alguns processos e instrumentos de navegação marítima.

Assim a viagem tinha por si só dois objetivos principais: por um lado existia o fator de ordem patriótica e diplomática que ajudaria a promover um estreitamento dos laços entre Portugal e o Brasil, e por outro, o principal objectivo desta viagem, era tentar provar que a navegação aérea seria susceptível da mesma precisão que a navegação marítima.

Assim, tornaram-se muitíssimo importantes os instrumentos utilizados na primeira travessia aérea, como foi o caso do Sextante Português, que acabaria por se demarcar como um exemplo da superioridade dos métodos de precisão de cálculo portugueses.

Para que esses objetivos se cumprissem, especialmente o último mencionado, Sacadura Cabral e Gago Coutinha optaram por escolher um hidroavião específico.

É óbvio que, à partida, qualquer hidroavião teria de ser modificado, para que lhe fosse colocado um motor Rolls e também para que se aumentasse a superfície alar e dos flutuadores, para que assim pudesse transportar mais carga e tornar o engenho mais estável.

Assim, estas alterações seriam facilitadas se o avião tivesse sido construído pela casa Fairey que era já a responsável pela travessia do Atlântico Norte, realizada por aviadores dos Estados Unidos.

Dos antecedentes para a viagem, convém também mencionar que, anteriormente, Gago Coutinho e Sacadura Cabral haviam já realizado um voo de ensaio, entre Lisboa e a cidade do Funchal, a 22 de Março de 1921, onde tiveram oportunidade de experimentar tanto o corrector de rumos de Sacadura Cabral, como o famoso sextante, tantas vezes referido.

Estando assim terminados os principais preparativos para a realização desta arrojada viagem, no dia 30 de Março, o hidroavião partiu então de Lisboa.

Embora este acontecimento não tivesse sido anunciado, ainda assim foram muitos os espetadores curiosos que vieram assistir a esta memorável descolagem da primeira travessia aérea.

O Feito e o Monumento Comemorativo à Primeira Travessia Aérea

Foi a 30 de Março de 1922 que Gago Coutinho e Sacadura Cabral iniciaram a primeira travessia aérea do Atlântico Sul, entre Lisboa e o Rio de Janeiro. Esta viagem foi iniciada com o hidroavião “Lusitânia”, sendo depois concluída com êxito com o “Santa Cruz”.

Cinquenta anos mais tarde, nas celebrações relativas à primeira travessia aérea, este feito foi celebrado com o Monumento Comemorativo da 1ª Travessia Aérea do Atlântico Sul, que foi inaugurado em 17 de Junho de 1972, em Belém.

Essa escultura evoluía assim nesse local, num cenário em espelho de água que simbolizava o Oceano Atlântico.

Por outro lado, o local escolhido para a sua edificação estava relacionado com a proximidade da doca da partida.

Este monumento foi feito por iniciativa camarária, tendo por autores o escultor José Joaquim Laranjeira Santos e o arquiteto António Rodrigues Fernandes.

A escultura apresenta um pesado pedestal em betão, em forma de cubo e uma estrutura em armação de aço inoxidável. Da base da escultura abre-se uma asa, de uma leveza invulgar.

Desta, de forma complexa e assimétrica, parecem progredir, simbolicamente, os vários caminhos que seriam a expressão da persistência heróica dos pilotos.

Por outro lado, o efeito estético, que é marcado pelas várias incidências da luz na asa, têm por objetivo fazer lembrar as oscilações por vezes tortuosas do esforço para se conseguir abrir o caminho da Descoberta.

Do centro da escultura emerge o sextante, com a forma de um sexto de círculo, e que é um instrumento de navegação que pela conjugação visual de dois pontos num espelho mede com grande rigor os ângulos, as alturas angulares dos astros e as distâncias entre dois pontos da costa.

Esse instrumento era utilizado inicialmente na navegação aquática, sendo depois utilizado pelos dois heróis portugueses na aviação.

Substituição do Monumento Primeira Travessia Aérea

Este monumento não reuniu o concenso à sua volta. Pelo contrário, cedo surgiram resistências a esta linguagem plástica que, segundo expresso pelo arquiteto Eduardo Bairrada, em 1985, perante o então Vereador Pinto Machado da Câmara Municipal de Lisboa, esta obra não é facilmente entendível pelo português de classe média.

Aliás, segundo ele, o próprio Almirante Américo Thomás, quando inaugurou o monumento, ficou muito decepcionado.

Esta pressão por parte de alguns fez com que a C.M.L. acabasse por ceder, substituíndo a escultura original pela que existe actualmente em Belém, que é uma réplica em tamanho natural do hidroavião “Santa Cruz”, da autoria de Soares Branco.

A verdade porém é que, com a escultura da autoria de Laranjeira Santos, se tinha inaugurado em Portugal um monumento moderno e abstracto, que foi até mesmo elogiado com destaque na prestigiada revista “Public Art – New Directions”, de Nova Iorque.

Após ter sido retirada de Belém, a escultura foi recuperada, tendo a C.M.L. decidido por fim colocá-la, em 2001, na Rotunda do cruzamento da Av. Rio de Janeiro, onde se encontra atualmente.

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