Ponte de Sacavém

A Ponte de Sacavém une as freguesias de Sacavém e da Bobadela, e nela passa a conhecida Estrada Nacional n.º 10.

urante séculos existiu neste local uma ponte romana, sendo na altura uma das imagens de marca da freguesia de Sacavém.

Esta ponte romana subiste agora no brasão da freguesia e também na memória popular, através de vários azulejos e pinturas.

Ponte Romana de Sacavém

O vasto império romano era ligado pelas suas inúmeras pontes e estradas, fruto do processo de romanização da Península Ibérica. Durante os séculos II a.C e I d.c, foi edificada no local da corrente Ponte de Sacavém, outrora pertencente ao município de Lisboa, uma ponta romana de quinze arcos de volta perfeita, que dava acesso ao pequeno povoado na margem Norte do rio Trancão.

Esta ponte era constituída por duas vias romanas de troço comum. Este troço era denominado VIA XV, que ligava OLISIPO (Lisboa) e EMERITA AVGVSTA (Mérida). Este troço dava a um outro troço, a VIA XVI, que ligava OLISIPO (Lisboa) a BRACARA AVGVSTA (Braga).

O rio Trancão era um local importante para a defesa de OLISIPO (Lisboa), sendo o palco de uma batalha importante no século XII, a conquista de Lisboa aos muçulmanos (1147).

O monge Frei António Brandão, O. Cist., relatou que cerca de cinco mil muçulmanos com origem em Sacavém, Estremadura e Ribatejo se tinham reunido perto da ponte para afastar as tropas portuguesas que estavam do outro lado do rio Trancão. A força militar dos cristãos continha apenas 1500 unidades, o que representava uma enorme desvantagem em relação ao inimigo. A intervenção da Virgem Maria foi crucial para evitar a derrota do exército cristão.

Cronologia da Ponte de Sacavém

1147 – Batalha de Sacavém

A ponte romana é o palco da Batalha de Sacavém, sendo o exército português salvo pela aparição da Virgem Maria.

Batalha de Sacavem (Autor: Imagem em domínio público)

Batalha de Sacavem (Autor: Imagem em domínio público)

1571 – Francisco de Holanda

O pintor e humanista Francisco de Holanda efectua um esquisso onde é representada a ponte romana de Sacavém (intitulado «Lembrança pera Redificar a Ponte de Sacauem»). Nessa obra é possível confirmar a antiga largura do rio Trancão, que foi atrofiada pelo terramoto de 1755. Francisco de Holanda alude ao actual monarca, D. Sebastião, para proceder às obras de restauro antes da inevitável derrocada. O rei D. Sebastião estava demasiado preocupado com as suas campanhas marroquinas para prestar alguma atenção à ponte.

Lembrança pera Redificar a Ponte de Sacavem (Autor: Imagem em domínio público)

Lembrança pera Redificar a Ponte de Sacavem (Autor: Imagem em domínio público)

1629 – Miguel Leitão de Andrade

Miguel Leitão de Andrade, no «2.º Diálogo» da sua Miscelânea, alude para o estado debilitado da ponte e a fraca atenção dos governantes. A ponte acabou por colapsar e a travessia do rio Trancão passou a ser efectuada por barqueiros com uma portagem arrendada pelo Duque de Bragança.

1755 – O terramoto de 1755

Uma litografia aguarelada dessa ponte, da autoria do pintor Tomás José da Anunciação, datada de cerca de 1850, pode ser consultada na Biblioteca Nacional de Portugal (Autor: Imagem em domínio público)

Uma litografia aguarelada dessa ponte, da autoria do pintor Tomás José da Anunciação, datada de cerca de 1850, pode ser consultada na Biblioteca Nacional de Portugal (Autor: Imagem em domínio público)

O grande terramoto de 1755 eliminou os restantes vestígios da ponte romana e o rio trancão foi alvo de várias mudanças orográficas. Estas alterações tornaram o rio mais estreito, possibilitando a construção de uma ponte mais pequena para ligar as duas margens.

1833 – Guerra civil portuguesa

Em Outubro de 1833 as forças miguelistas derrotadas situadas em Loures pegaram fogo à ponte para impossibilitar o avanço das forças liberais.

1842 – Nova ponte

Foi edificada uma nova ponte em cantaria e ferro de dezoito metros de comprimento, assente em apenas quatro pilares. Esta ponte persistiu até meados do século XX.

1910 – Revolucionários republicanos

A ponte foi incendiada em 1910, pelos revolucionários republicanos, de forma a impedir a vinda de reforços monárquicos. Esta ponte durou mais algumas décadas, até que se procedeu à construção da actual ponte em betão, pela Junta Autónoma das Estradas, e que subsiste até hoje.

O incêndio da ponte sobre o rio Trancão pelos revolucionários republicanos, em 5 de Outubro de 1910 (Autor: Imagem em domínio público)

O incêndio da ponte sobre o rio Trancão pelos revolucionários republicanos, em 5 de Outubro de 1910 (Autor: Imagem em domínio público)

Uma litografia aguarelada dessa ponte, da autoria do pintor Tomás José da Anunciação, datada de cerca de 1850, pode ser consultada na Biblioteca Nacional de Portugal.

Imagens da Ponte de Sacavém

Vídeo da Ponte de Sacavém

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Publicado em Pontes de Portugal
Um comentário sobre “Ponte de Sacavém
  1. Éverton Lisbôa disse:

    Gostaria de saber mais sobre essa nobre história, sou brasileiro e não tenho tanto conteúdo sobre a batalha de Sacavém, e tenho algumas duvidas que uma boa literatura podia me ajudar, vocês possuem algum documento aonde a batalha de 1147 é mais detalhada ?
    Agradeço desde ja.
    Att:éverton Lisbôa.

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