Passeio Público do Rossio

Não sabe o que é o Passeio Público do Rossio? Nos nossos dias, muitas vezes ouvimos falar na Baixa Pombalina de Lisboa.

Essa é a zona de Lisboa que foi devastada no terramoto de Lisboa de 1755, e que, durante o reinado de D. José e por ordem do Marquês do Pombal viria a ser totalmente derrubada para dar origem a uma cidade moderna e organizada.

Mas, o que muitas pessoas não sabem é que falta à original Baixa de Lisboa um dos seus elementos principais que viria a ser destruído durante o século XIX para dar lugar à passagem de uma nova Avenida, a Av.ª da Liberdade que permitiria o desenvolvimento da zona Norte da cidade.

O Passeio Público do Rossio

O Passeio Público do Rossio foi projetado entre 1764 e 1771 aquando da reedificação da Baixa de Lisboa e constituiu a primeira expressão, em Portugal, do desejo de um parque público, à semelhança do que estava também a acontecer por toda a Europa por influência do chamado “iluminismo”.

Ao passo que alguns filósofos do século XVIII procuravam espaços onde pudessem romper o contato com a cidade e passassem a usufruir um pouco de natureza, também aqueles que planificavam a cidade procuravam encontrar soluções para insalubridade da cidade.

Passeio Pùblico do Rossio (Autor: Imagem em domínio público)

Passeio Pùblico do Rossio (Autor: Imagem em domínio público)

Assim, como uma das medidas mais importantes, a plantação de árvores acaba por desenvolver um papel bastante importante, complementando o saneamento e o embelezamento da cidade.

O Projeto

O arquiteto Reinaldo Manuel dos Santos foi quem projetou o primeiro desenho do Passeio Público do Rossio, traçando num esquema bastante simples uma alameda de 300 por 90 metros, sendo constituída por uma rua central na qual foram plantadas, em ambas as faixas laterais, cinco filas de árvores dispostas simetricamente e de forma regular, acabando por formar ruas secundárias.

O Passeio estava cercado por muros e a entrada era feita através de uma porta de madeira. Apenas alguns anos mais tarde, estes foram substituídos por gradeamentos.

O Passeio Público do Rossio constituiu na época um local de encontro das classes sociais e a sua mútua e progressiva aceitação.

Não nos podemos esquecer que este é o primeiro jardim público deste género em Portugal, visto que no século XVIII, todos os jardins existentes eram privados e apenas usufruídos pelos aristocratas.

O traçado do Passeio Público fugia aos tradicionais jardins antigos franceses, mantendo os traços dos jardins portugueses de influência árabe. No entanto, em vários aspetos pode ser comparado a muitos dos jardins que começavam a aparecer por toda a França, conhecidos como os mails e os cours.

Tanto os mails como os cours eram considerados como verdadeiros salões ao ar livre. Neles as classes mundanas mostravam a sua arte de conversação e exibiam as suas posses.

Apesar de tudo, segundo relatos de várias fontes da época, nos útlimos 25 anos do século XVIII e nos primeiros 30 anos do século XIX, o Passeio Público do Rossio não se conseguiu impôr como o centro de socialização dos lisboetas, devendo-se grande parte desse insucesso à sua fraca qualidade estética e à falta de integração paisagística do mesmo.

Ao mesmo tempo, a falta de hábitos de socialização e interação com as classes mais desfavorecidas por parte dos aristocratas fazia com que o objetivo da sua construção falhasse redondamente.

Foi apenas na segunda metade do século XIX que o Passeio Público do Rossio se tornou um local de encontro da sociedade portuguesa, tendo para isso contribuído os esforços das vereações liberais. Nas noites de Verão, passou a existir no Passeio Público uma ampla oferta de divertimentos, organizando-se também o lançamento de fogos-de-artifício, concertos musicais aos Domingos e feriados, bailes infantis, festas remáticas e festas de beneficiência.

Assim, os entretenimentos e o cariz das festas caritativas justificavam a afluência em massa da sociedade.

O Fim do Passeio Público do Rossio

Em finais do século XIX, o Passeio Público já não satisfazia os lisboetas que estavam fartos daquela rotina de divertimentos repetitivos.

Além disso, pela forma como tinha sido projetado, este local acabava por impedir que a cidade de Lisboa se desenvolvesse e expandisse mais para Norte. Assim, o Passeio Público do Rossio acabou por ser sacrificado para que fosse construída no seu lugar a Avenida da Liberdade.

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