Palácio Nacional da Ajuda

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Como é sabido, o terramoto de Lisboa, ao qual se segui um maremoto, mudou profundamente a imagem da capital portuguesa. Entre muitíssimas outras, uma das construções que ficou totalmente destruída foi o Paço da Ribeira, obrigando assim a que D. José I ordenasse a construção de uma nova residência para a família real. Assim, o local eleito para tal construção foi o alto da Tapada da Ajuda. No entanto, o Palácio inicial, construído de modo a melhor resistir a novas réplicas do sismo, era aparentemente mais parecido com uma barraca real feita em madeira. Mesmo assim, foram aí colocados os mais belos móveis, pinturas e tapeçarias, para que a família real pudesse aí usufruir das melhores condições possíveis, sendo que o rei e a sua família aí permaneceram até 1794, visto que nesse ano aí ocorreu um incêndio que acabou por destruir completamente esse palácio improvisado e o seu valiosíssimo recheio.

O Novo Palácio

Em 1795, um ano depois do malfadado incêndio, Manuel Caetano de Sousa deu início às obras do Palácio da Ajuda, desta vez um Palácio digno desse nome, de estilo barroco e pouco consentâneo com o estilo que vigorava à época.

Sete anos mais tarde, em 1802, Fabri e Costa e Silva foram convidados para fazerem uma reformulação total do edifício e para isso adotaram os parâmetros comuns à arquitetura neoclássica. Na sua fachada nobre, com um poderoso frontão triangular, a colunata e os torreões terminais aí edificados acentuam a opção destes por um esquema de gosto clássico. A planta do Palácio contempla duas compridas alas retangulares, que se encontram ritmadas por pilastras e janelas retangulares, e cujo inferior é de estilo rústico, sendo que estas acabam por se fechar sobre um pátio central. Alguns artistas e escultores famosos foram também convidados para participar na decoração do átrio, dos tetos e da fachada, estando entre os executantes os escultores Machado de Castro e João José de Aguiar e também os pintores Domingos António Sequeira, Foschini ou Cirilo Volkmar Machado. São de fato estas obras artísticas que conferem o esplendor e imponência caraterísticos deste palácio real.No entanto, os diversos problemas de ordem financeira e as convulsões políticas sofridas nessa época acabaram por fazer com que a construção desta grandiosa obra se arrastasse durante muitos anos. Um dos factores que levaram a esse arrastamento foi a partida da família real para o Brasil em 1807, motivada pelas Invasões Francesas, e mais tarde as guerras entre liberais e absolutistas. Assim, apesar de o plano inicial ser de grandes dimensões, na verdade, apenas um terço acabou por ser executado, ficando a sua construção incompleta, como aliás pode ser comprovado pela fachada posterior do palácio. Assim, em 1844, o Palácio da Ajuda ainda era objeto de melhorias e restauros pontuais.

Residência Real Oficial

Nas salas do Palácio Nacional da Ajuda, era usual os reis portugueses procederem a cerimónias oficiais. No entanto, a sua escolha para residência oficial só se deu no ano de 1861 com a subida ao trono de D. Luís. No entanto, antes que isso acontecesse, foi necessário algumas obras de remodelação, onde foi feita uma revisão das inteiras alas do palácio, de modo a torna-lo mais confortável e requintado. Foram também encomendadas novas peças de mobiliário, pintura, porcelanas, pratas, tapeçarias e outros apetrechos que passaram a decorar as diversas dependências deste palácio régio, de modo a conferir-lhe uma exótica ambiência, muito própria da mentalidade burguesa do século XIX.Na ala norte do Palácio existia a Galeria de Pintura de D. Luís, na qual existia uma notável coleção de pintura da Coroa portuguesa, mas esta foi destruída num incêndio que ocorreu em 1974. Na planta baixa do palácio, existe ainda hoje um dos mais notáveis fundos bibliográficos existentes em Portugal, que seria ainda mais notável se não tivesse sido alvo do saque das forças napoleónica francesas sob o comando de Junot.

Atualidade

Atualmente, o Palácio da Ajuda alberga o Ministério da Cultura, estando também uma parte dele reservada como espaço protocolar da Presidência da República. Numa outra ala do palácio foi aberto um museu onde pode ser encontrada uma das mais notáveis coleções nacionais de artes decorativas, que abrange um período entre o século XV e o século XX, merecendo especial destaque o acervo de jóias e pratas da Coroa portuguesa, sendo este um sumptuoso mostruário do cerimonial e da vida privada da família real.

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