Paço Episcopal do Porto
O Paço Episcopal do Porto é um edifício barroco, implantado no falco sul do Terreiro da Sé do Porto, que foi mandado construir por iniciativa do bispo D. Francisco João Rafael de Mendonça, sendo que para isso foi necessário mandar demolir o antigo Paço. A sua construção ficou a cargo do mestre Miguel Francisco da Silva e foi bastante demorada, tendo-se iniciado a sua construção na década de 30 do século XVIII e terminado já no fim desse mesmo século, a tal ponto de o bispo nunca ter chegado a vê-la concluída durante a sua vida. Mas, mesmo assim, algumas partes do traçado original foram alteradas e outras foram terminadas à pressa, o que acabou por prejudicar o conjunto global, a sua estrutura, clareza e unidade arquitetónica.
Ainda assim, é consensual que o seu traçado original ficou a cargo do artista italiano Nicolau Nasoni, que projectou outras obras importantes da Invicta, como por exemplo, a Torre dos Clérigos. Esta influência é notada principalmente no alçado da frontaria, que se projeta em duas fachadas facilmente reconhecidas, uma a ocidente e a outra a sul. Neste bloco, de traços imponentes, majestosos e elegantes, mas não pesados, podem-se observar dezenas de janelas barrocas. Por se encontrar próxima da Sé Catedral e sobre penhascos colossais, a fachada principal ficou um pouco mais baixa.
Ao longo dos tempos, foram realizadas várias obras de reconstrução do Paço, sendo que, uma das mais importantes foi a reconstrução efectuada pelo bispo D. Luís Pires, que meritoriamente deve ser reconhecido por ter mandado aumentar e organizar a importante biblioteca que ainda hoje existe. Já a remodelação mais profunda ocorreu durante a idade barroca, e teve como principal impulsionador o Cabido da Sé.
Nos nossos dias, o Paço Episcopal do Porto é pertença do Estado e foi recentemente recuperado.
Descrição
A fachada barroca ao estilo de Nasoni encontra-se dividida em dois pisos, sendo ritmada por janelões, sendo que os janelões do andar nobre são ornamentdos quer por frisos ovais, quer por lambrequins de volutas e cascas de molduras lisas e molduras onduladas, alternadamente. Já no centro do frontispício, assume posição dominante um monumental portal, de arco chanfrado com ornamentos em forma de pétalas e volutas, o qual é encimado por uma janela servida por um varandim curvo de ferro forjado. Já a fachada secundária, do lado oeste, é apenas corrida por um varandim. O brasão de armas, em pedra, fica ligeiramente sobreposto ao friso do entablamento, decorando assim a frontaria. Acima do beirado eleva-se um frontão de formato curvo e ornamentando, sendo este o coroamento do monumental eixo. O brasão encontra-se ladeado de uma vasta decoração. Sobre as lojas abrem-se cinco portas almofadadas e sete janelas baixas com gradeamento, podendo-se também avistar as 24 janelas do andar nobre, que ficam situadas 12 de cada lado, sendo estas unidas verticalmente duas a duas, nas quais se alternam os ornamentos, entre ornamentos mais festivos e outros menos ornamentados Cada uma dessas 24 janelas abre-se para varandins que se encontram guarnecidos de ferro forjado com formas de desenho delicado.
O interior do edifício é composto por amplos salões, em alguns dos quais se podem observar excelentes peças de mobiliário. É composto ainda por muitas salas e muitos quartos característicos da época anterior à sua expropriação. Ao fundo do vestíbulo encontra-se a escadaria nobre, cuja decoração mural é muito posterior à do início do projecto, apesar de mesmo assim serem surpreendentemente harmoniosas no seu conjunto com os tectos, lanternim, patamares, corrimões e a entrada do andar nobre, um verdadeiro portal palaciano. De fato, o que mais se destaca no interior do edifício é mesmo essa ampla escadaria de cariz cenográfico, que se inicia com um lanço único, passando depois a desdobrar-se em dois lanços convergentes, abertos para um patamar que ostenta o dito portal. Os muros desta escadaria encontram-se revestidos a estuques setecentistas.
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