Ordem de Cristo

A Ordem de Cristo (Ordem de Nosso Senhor Jesus Cristo) é uma instituição honorífica de tipo monástico-militar criada pelo Rei D. Dinis no ano de 1319 e proclamada pela Bula Ad ae exquibus pelo Papa João XXII, sob as bases, privilégios e honras da extinta Ordem dos Templários.

O seu emblema característico é a Cruz da Ordem de Cristo, que consiste em uma cruz vermelha sobre fundo branco.

Cruz da Ordem de Cristo (Autor: Fatima Rodrigues)

Cruz da Ordem de Cristo (Autor: Fatima Rodrigues)

Conhecida sob as designações de Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo Templários e do Templo de Salomão, Ordem do Templo ou Ordem dos Templários, foi de vital importância na luta portuguesa contra os muçulmanos, nos séculos XII e XIII, fato pelo qual as diferentes Coroas Portuguesas concederam para ela numerosos bens e privilégios, povoações sob seu cargo e domínio político como recompensa pelo apoio nas Cruzadas, mesmo que os indivíduos pertencentes á comunidade tiverem feito votos de pobreza e de castidade para se tornarem monges da coletividade.

Quando o sucesso dos Templários declinou pela vinculação da Ordem em diferentes acusações de crimes, heresia e corrupção, o Papa Clemente V decidiu a dissolução da Ordem em 1312.

Com o fim de não perderem os bens da Ordem reservados todos esses anos pelo Rei D. Dinis, ele finalmente decidiu criar a Ordem de Cristo e que ela herdasse à anterior já extinta.

A Ordem de Cristo respondeu assim à necessidade de reformar e substituir a antiga Ordem do Templo, mas em termos gerais, não foram modificadas fundamentalmente as normativas nem os preceitos herdados da anterior.

Os hábitos e a insígnia foram os mesmos, embora adotasse a regra cisterciense do ascetismo, o rigor na observância do rigor litúrgico e, sobretudo, o valor do trabalho como valor fundamental.

Incialmente, a Ordem tinha como soberano único o Papa e teve como sede inicial o castelo de Castro Marim, mas logo foi instalada no Castelo de Tamar, no ano de 1357.

[-] Tabela de Conteúdos

Missões da Ordem de Cristo

Com a nomeação do Infante D. Henrique como administrador e governador da Ordem de Cristo, a partir dos séculos XV e XVI lhe foi encomendada a extraordinária tarefa de administrar e conduzir o Reino de Portugal na conquista da Ásia, através das viagens ultramarinas desenvolvidas com o desejo de explorar os territórios até agora desconhecidos e afirmar a importância da Coroa Portuguesa como potência mundial.

A Cruz da Ordem de Cristo adornou as caravelas que foram utilizadas para a exploração, tornando-se assim numa figura simbólica reconhecida pelos outros impérios como símbolo nacional português.

Com o sucesso nas descobertas a Ordem, que financiou as primeiras expedições sob seu encargo obteve como rendimento a obrigação de fundar e disseminar o cristianismo nos novos territórios, privilégios concedidos com a proclamação das bulas dos Papas Nicolau V e Calisto III datadas em 1454 e 1456, respectivamente.

No ano de 1529 a Ordem passou a ser de estrita clausura, reformada sob o mandato de D. João III, mantendo ainda alguns privilégios já reconhecidos.

Posteriormente em 1789, a Rainha D. Maria I  a reformou novamente, mas mantendo-a como Ordem militar e religiosa.

Extinção da Ordem de Cristo

A Ordem de Cristo desapareceu a partir da expedição do Decreto de Extinção das Ordens Religiosas em Portugal datado em 1834.

Contudo, D. Maria II decidiu no seu mandato convertê-la em Ordem Honorífica e até hoje continua assim, tendo sido objeto de numerosas reformulações como a de ter somente cinco graus: cavaleiro ou dama, oficial, comendador, grande-oficial e grã-Cruz.

Na atualidade, a Ordem Militar de Cristo continua associada às funções de soberania e, de maneira especial, à magistratura, à administração pública e à diplomacia.

Neste sentido, a Ordem é frequentemente concedida como distinção especial para as Visitas Parlamentares de Estado, sobretudo aos cônjuges e, ocasionalmente, aos próprios chefes de Estado.

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Publicado em História de Portugal, Últimos
Um comentário sobre “Ordem de Cristo
  1. Sérgio Sodré disse:

    Quando se afirma que “A Cruz da Ordem de Cristo adornou as caravelas que foram utilizadas para a exploração”, talvez fosse adequado alertar para que isso ocorreria nos navios enviados pela O.C. através dos seus administradores e governadores todos membros da família real. Mas isso não é válido para os navios da própria Coroa, quando o Rei não era, simultaneamente, o administrador/governador da O.C. Foi o caso de D. João II, Rei e administrador/governador das ordens de Santiago e de Avis, mas não da de Cristo (no seu tempo, geridas pelo Duque de Viseu D. Diogo e depois pelo Duque de Beja, o futuro Rei D. Manuel I). As caravelas e naus de D. João II não usavam a cruz de Cristo, mas sim os símbolos reais, nomeadamente o brasão com as quinas já direitas e sem as pontas da cruz de Avis. As caravelas de Bartolomeu Dias não contornaram o Cabo das Tormentas (depois chamado da Boa Esperança) exibindo cruzes da Ordem de Cristo… Isto parece estar esquecido…

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