Museu Nacional de Arte Antiga

Após a guerra cívil que terminou em 1834 com a vitória dos liberais, um decreto datado de 28 de maio desse ano abolia as ordens religiosas, o que fez com que fossem encerrados de imediato os conventos masculinos, e determinando o fecho dos femininos assim que morresse a última freira.

Imediatamente, o novo poder político ficou com a grande responsabilidade de dar destino a um enorme volume de bens culturais móveis.

Dessa responsabilidade foi incumbida a Academia Real de Belas-Artes, após ser fundada em 1836 e também ela produto do liberalismo que acabava de nascer e dava os seus primeiros passos.

Foi no entanto apenas em 1869 que se deu a abertura da primeira galeria pública de pintura desta Academia em sete das salas que compunham a sua sede, nos espaços do antigo Convento de S. Francisco de Lisboa, sendo que estas apresentavam um espólio significativo de legados e doações.

No entanto, foi o enorme sucesso obtido pela Exposição Retrospectiva de Arte Ornamental Portuguesa e Espanhola, de 1882, que decorreu nas salas do palácio Alvor-Pombal, que levou o Estado a comprar este edifício pelo Estado e a abrir oficialmente o museu nesse local, a 12 de junho de 1884.

Recebeu o nome de Museu Nacional de Belas-Artes e Arqueologia, sendo com esse nome aberto ao público para que nele se instalasse o que então se designava por “Museus Centrais”. Nessa altura, o Museu foi então entregue à direcção e orientação da Academia.

As colecções que aí se encontram reunidas começaram por ser muito vastas, contemplando temas que variavam desde a arqueologia à arte moderna.

No entanto, durante as décadas seguintes, algumas dessas importantes colecções foram daí retiradas e transferidas dando origem a outros museus, tais como o Museu de Etmologia (actual Museu Nacional de Arqueologia) que recebeu as colecções arqueológicas.

Quando é implantada a Primeira República, o Museu deixa de depender da Academia, sendo daí retiradas, em 1911, as colecções de arte moderna que passaram a ser instaladas em S. Francisco, onde foi criado o Museu Nacional de Arte Contemporânea (atual Museu do Chiado), que passou a assumir, na sua estrutura como museu, a identidade que mantém até aos nossos dias.

Transformações do Museu Nacional de Arte Antiga

Com o passar do tempo, desde a sua fundação e até aos nossos dias, o edifício do museu passou por várias adaptações e remodelações em diversas campanhas de obras, sempre com o objectivo de se conseguir conquistar cada vez mais espaço.

1884 a 1911 – Durante este período, o edifício do então chamado Museu de Belas Artes e Arqueologia manteve o seu aspeto de palácio, conhecendo mesmo assim diversos arranjos durante essas décadas.

Sabe-se que a primeira organização do espaço se deveu ao professor e pintor António Tomás da Fonseca, que passou a arrumá-lo segundo um critério cronológico genérico, dando nitidamente preferência à pinacoteca que, posteriormente, viria a conhecer outros arranjos durante as décadas seguintes.

Em 1911 este Museu adotou a atual designação de Museu Nacional de Arte Antiga, passando também a usufruir da atual vocação, sendo também fixadas as balizas cronológicas que ainda vigoram graças à acção modernizante do seu primeiro director, José de Figueiredo. À medida que foram sendo cedidas muitas das obras do acervo, isso permitiu que se organizasse um tecido museológico nacional do qual as “Janelas Verdes” são a matriz.

Com o passar do tempo, desde a sua fundação e até aos nossos dias, o edifício do museu passou por várias adaptações e remodelações em diversas campanhas de obras (Autor: João Carvalho)

Com o passar do tempo, desde a sua fundação e até aos nossos dias, o edifício do museu passou por várias adaptações e remodelações em diversas campanhas de obras (Autor: João Carvalho)

Décadas de 30 e 40 – Nesta altura, passou a promover-se a criação de um corpo anexo, projectado pelo arquitecto Guilherme Rebelo de Andrade, que foi inaugurado em 1940, com a Exposição dos Primitivos Portugueses.

Este novo edifício tem a forma de um gigantesco cubo dividido em três pisos, no qual existe um grande salão central e uma galeria superior, que passaram a dedicar-se à exposição permanente. Além desses, foi construído um outro salão onde ficariam expostas as reservas, com um muito bem conseguido tratamento «natural» de climatização.

No entanto, a opção programática tem sido por diversas vezes objecto de controvérsia, pela retórica estilística que passou a assumir de uma forma mais pomposa no exterior, por procurar uma representação historicista vinculada à opulência joanina.

No entanto, é bom que se diga que, do ponto vista funcional, este aumento considerável de área teve como consequência a possibilidade de se expandir de forma significativa o número de obras a expor, tornando assim possível um discurso expositivo actualizado.

Posteriormente, entre 1942 e 1947, passaram a realizar-se algumas obras de remodelação do palácio, tendo-se procedido à construção de um corpo oriental de fachada que, apesar de novo, procurou manter o prospeto aspeto e o ritmo de fenestração do solar seiscentista. Nesse novo corpo oriental foi instalado o auditório, a biblioteca e o gabinete de Desenhos e Estampas, além de algumas novas salas de exposição permanente, uma galeria para exposições temporárias, vários gabinetes de estudo e de serviços.

Anos oitenta até aos nossos dias – Em 1983, quando se realizou a XVII Exposição do Conselho da Europa, deu-se uma nova oportunidade para uma intervenção estrutural no edifício do Anexo, sendo esta projectada pelo arquitecto João de Almeida. Nesta campanha de remodelação criou-se basicamente um piso intermédio inteiramente novo, além de duas grandes salas para exposição no lugar da antiga escadaria e um espaço de claustro fechado no último andar.

As últimas obras aí realizada datam do período entre 1992 e 1994, pelas mãos do mesmo arquitecto e tiveram essencialmente como objectivo a duplicação do espaço de exposições temporárias, o tratamento do ar condicionado no conjunto do edifício, a mudança de instalações do Gabinete de Estampas que passou a usufruir de espaços próprios de exposição e de tratamento de conservação.

Foi ainda criada uma nova área para os serviços técnicos e administrativos e, ainda, foram ampliados os setores de apoio ao visitante.

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