Igreja do Menino Deus
A Igreja do Menino Deus está situada na freguesia de Santiago, no concelho e distrito de Lisboa, em Portugal. Localizada no Largo do Menino Deus, em Alfama, junto ao Castelo de São Jorge, meio escondida na encosta nascente da colina do castelo, este templo é desconhecido da grande maioria dos lisboetas. No entanto, a Igreja do Menino Deus é uma obra de grande importância histórica e patrimonial, tendo sido classificada como Monumento Nacional em 1918.
Tanto a sua notável qualidade e originalidade arquitectónica, como o facto de ser uma das raras igrejas que escapou intacta ao grande terramoto de 1755, fazem da igreja do menino Deus um verdadeiro marco da Arquitectura Barroca nacional.
A concepção da obra está atribuída ao Arquitecto Real João Antunes, autor de obras de referência como a Igreja de Santa Engrácia em Lisboa.
História
Foi no dia 4 de Julho de 1711, que o rei D. João V de Portugal, encontrando-se acompanhado dos Infantes, seus irmãos, D. António e D. Manuel, e de vários outros membros da Casa Real, lançou a primeira pedra da igreja. A construção prolongou-se durante 26 anos ficando concluída apenas em 1737, data em que foi sagrada. Assim, no dia 25 de Março, o rei D. João V, patrocinador da obra, transferiu a imagem “milagrosa” do Menino Deus da Igreja da Ordem Terceira de S. Francisco de Xabregas. Na cerimónia da inauguração, o Rei foi acompanhado numa procissão nocturna, com tochas acesas, pelo povo da capital portuguesa e pelo jovem príncipe D. José, seu filho, e os irmãos Infantes D. António e D. Manuel. Depois de imagem ter sido colocada na capela-mor, cantou-se o Te Deum acompanhada de excelente música de instrumentos e vozes.
Caraterísticas
Quando se observa a frontaria da igreja, vê-se que não está concluída, faltando-lhe o remate de frontão e as torres de campanário. Mas o interior é um perfeito e excelente exemplo da Arquitectura portuguesa do início do séc. XVIII, sendo um verdadeiro espectáculo da obra total do Barroco. Trata-se de um espaço amplo, à maneira de um grande salão, com cantos cortados, o que confere à igreja uma peculiar forma oitavada. As paredes são totalmente revestidas de pedra e com esplêndidos embutidos de pedraria de várias cores.
A talha dourada desta igreja está limitada aos retábulos dos oito altares laterais onde se integra um conjunto de belíssimas pinturas de André Gonçalves e do pintor espanhol André Ruvira, que foram executadas por volta de 1730. O retábulo da capela-mor, em mármore, é da autoria do italiano João António Bellini, de Pádua.
Ao centro, em pequeno nicho, vemos a imagem do Menino Jesus, devota dos populares e que, conforme reza a tradição, já existia no local sendo conhecida por Menino Deus.
A Capela-mor está também adornada com duas belas telas trilobadas: o “São Francisco Despojado dos Hábitos Seculares” de Vieira Lusitano da década de 1730, e o “Trânsito de São Francisco” atribuído ao italiano Francesco Pavona. A arte da pintura da Igreja do Menino Deus fica completa com o magnífico teto pintado, sendo este o resultado de uma parceria entre Vitorino Manuel Serra, João Nunes Abreu, Jerónimo da Silva e André Gonçalves, representando arquitecturas em tromp-l’oeil, encontrando-se ao centro o painel com a “Ascensão de São Francisco com as Virtudes”.
As obras de construção da Igreja do Menino Deus foram erguidas com esmolas públicas e com a ajuda do Rei. O edifício conventual foi cedido para o recolhimento das Franciscanas Mantelatas da Ordem Terceira de S. Francisco de Xabregas.
Atualidade
Nos nossos dias, funciona na parte conventual o Centro Social do Menino Deus, que é gerido por uma Congregação de São José de Cluny e frequentado diariamente por cerca de 170 crianças. A igreja foi restaurada recentemente.
Visto que existem muitas pessoas, incluindo grande parte dos lisboetas, que não conhece a Igreja do Menino Deus, fica assim o convite para uma visita a este deslumbrante e raro monumento de Lisboa, principalmente agora que está próxima a celebração dos seus 300 anos.
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