Forte do Milreu

O Forte de Milreu é também conhecido como Forte de São Pedro da Ericeira, Forte de Mil Regos e Forte da Ericeira.

Fica situado na zona da Ericeira, no concelho de Mafra, distrito de Lisboa, em Portugal.

Este é o último remanescente de um pequeno conjunto de fortes erguidos por ocasião da Restauração da Independência e que serviria para a defesa daquela facha do litoral português.

O objetivo da sua construção era controlar o acesso marítimo à Ericeira pelo setor norte e também prevenir qualquer tentativa de desembarque na baía formada pela praia de Ribeira de Ilhas que ficam nas proximidades.

O Forte de Milreu apresenta planta retangular, com projeto de estilo maneirista, sendo a sua cobertura em terraço.

No seu frontispício encontra-se o portão de armas rasgado em arco pleno.

Apresenta também bateria com canhoeiras e duas guaritas cilíndricas com cobertura cónica.

História do Forte do Milreu

Ao que se sabe, o primeiro povo a ocupar a zona da Ericeira foram os Fenícios, por volta do ano 1000 A.C.

Já em finais do século XII, no contexto da Reconquista Cristã da Península Ibérica, quando Portugal era governado pelo rei D. Sancho I, este concedeu ao povo da Ericeira o direito de se auto-governar, muito provavelmente devido à grande importância da atividade pesqueira da região.

O Forte de Milreu é também conhecido como Forte de São Pedro da Ericeira, Forte de Mil Regos e Forte da Ericeira (Autor: Paulo Juntas)

O Forte de Milreu é também conhecido como Forte de São Pedro da Ericeira, Forte de Mil Regos e Forte da Ericeira (Autor: Paulo Juntas)

Foi, no entanto, durante o reinado de D. Sancho II que o frei D. Fernão Monteiro instituiu o Concelho de Eyrizeira, através de uma Carta Foral passada em 1229. Posteriormente, em 1513, D. Manuel I viria a conceder à vila da Ericeira o Foral Novo.

É no início do século XVI, que se inicia a construção da primeira fortificação da vila. Assim, a 12 de Agosto de 1505, Pedro Anes solicitou à Câmara da Ericeira que concorresse para as obras do porto de mar. Estas compreenderiam uma torre com a respetiva muralha, além de outras construções apropriadas para a defesa da região.

Em 1589, durante a crise de sucessão, D. António, o Prior do Crato, fez uma tentativa de desembarque de tropas nesta fortificação. No entanto, essa tentativa mostrou-se mal sucedida.

Forte do Milreu do Século XVII ao Século XVIII

Já no contexto da guerra da restauração da independência, iniciou-se a construção do Forte de Milreu, no lugar onde existia essa anterior fortificação, em 1670, sendo que, em 1675, o forte viria a ser inspecionado pelo marechal de campo, o marquês de Fronteira, registando-se nessa altura a ausência de artilharia e guarnição.

Por isso, em 1680, com o objetivo de guarnecer o forte com a devida artilharia, João Sousa Noronha, o seu governador, pediu à Câmara um Alvará que desse a dispensa aos moradores do Real Serviço, desde que estes se comprometessem a fazer a segurança do Forte de Milreu.

A João Sousa Noronha sucedeu Francisco de Almeida Carvalho, em 1706, e José de Mendonça, em 1735, como governadores do Forte de Milreu. Nessa altura, o Forte possuía sete peças de artilharia.

No entanto, devido a fortes intempéries que ocorreram nessa região em 1751, o Forte de Milreu passou por grandes dificuldades.

Assim, procedeu-se à reconstrução de alguns elementos da estrutura, mas ainda as obras não tinham terminado quando, em 1755, o terramoto seguido de um maremoto se abateram sobre Lisboa, o que fez com que o forte entrasse em processo de ruína.

Forte do Milreu na Atualidade

Entre 1831 e 1832, o Forte de Milreu foi reparado, no contexto da Guerra Cívil Portuguesa, sendo utilizado pelas forças miguelistas.

Em meados do século XIX, o forte entrou novamente em abandono, chegando até mesmo algumas das suas lajes a serem utilizadas para o restauro e construção dos anexos da igreja de São Pedro da Ericeira. Mais tarde, em 1880, foi daí retirada a restante artilharia.

No início do século XX, D. Manuel II ordenou que o forte fosse reartilhado mas, com o fim da Monarquia, este entraria novamente em processo de decadência.

Já em 1940,a muralha subjacente foi reedificada e o Forte de Milreu passou a ser tutelado pelo Ministério das Finanças.

A 29 de Setembro de 1977, foi classificado como Imóvel de Interesse Público, passando a ser objeto de conservação e reconstrução durante a década de 80, sendo-lhe assim restituído o aspeto de outros tempos, aspeto esse que se mantém até aos nossos dias.

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Publicado em Fortes de Portugal
Um comentário sobre “Forte do Milreu
  1. Regina Costa disse:

    Conteúdo valioso e com alto interesse histórico e cultural.

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