Estado Novo

O período da história contemporânea de Portugal conhecido como “Estado Novo” está indissoluvelmente ligado à figura de António de Oliveira Salazar, que manteve o poder político e governou o país por mais de quatro décadas, sob fundamentos ideológicos associados ao fascismo italiano, como o nacionalismo, o autoritarismo, o corporativismo e o pensamento conservador.

A aprovação de uma nova Constituição para Portugal no ano de 1933 marcou o começo do período, alicerçado na Ditadura Nacional, regime militar estabelecido em 1926, que dispôs uma fase de transição caracterizada principalmente pela suspensão da Constituição Portuguesa de 1911.

A imposição das novas condições visava acabar com as facções de oposição ao pensamento do governo, como o liberalismo e o comunismo, que no entanto, deu direito de voto às mulheres e assegurou ingressos justos para as chamadas classes operárias.

Outras características marcantes do regime foram: uma ideologia com forte componente católica, apoio na propaganda política, criação de organizações juvenis (Mocidade Portuguesa) para transmitir aos jovens a ideologia do regime, a organização de uma polícia política repressiva (conhecida por PIDE), uma atitude aberta e ativamente anticomunista, que lhe permitiu aliar-se aos E.U.A, durante a Guerra Fria.

Estado Novo e a Segunda Guerra Mundial

Foi interessante o papel cumprido pelo Estado Novo no cenário da Segunda Guerra Mundial, pois junto à sua tentativa de se manter neutral, colaborou de maneira secreta com o regime nazista, além do conhecido Pacto Ibérico de 1939 que lhe garantiu ficar fora do conflito e suas possíveis consequências, a exceção do racionamento alimentar e a inflação disparada; logo, acabada a guerra, pactuou uma aliança com a Europa Ocidental e os Estados Unidos no marco da NATO.

Na década de 50, o Estado Novo, desenvolveu sua economia, ao abrir o país para o comércio internacional permitindo a entrada regulada de capitais estrangeiros, o que beneficiou o campo industrial, como a indústria química e metalomecânica, o turismo, os transportes e o sector energético e a infraestrutura.

Estado Novo (Autor: Imagem em domínio público)

Estado Novo (Autor: Imagem em domínio público)

Mas, apesar desses empenhos, o país continuava a ser de maioria rural e com privilégio das cidades litorâneas sobre as regiões do interior, fato que levou à migração de dois milhões de portugueses para diversos destinos à procura de melhores condições de vida.

Estado Novo e os Problemas nas Colônias

Um fator que contribuiu para debilitar a permanência do Estado Novo foi o de manter a ideologia colonialista da 1ª República, procurando manter as suas possessões ultramarinas, sempre visando fortalecer o prestígio e orgulho nacional. O novo panorama internacional, determinado pela condenação do colonialismo e ao amplo movimento independentista das colônias dos países europeus (França, Inglaterra, Holanda, Espanha, etc.) encorajou os povos das colônias ultramarinas portuguesas a procurar também a sua autodeterminação.

A teimosia do governo português, pois insistia em desconhecer a autonomia das colônias e sim partes integrantes de um Portugal “uno de Minho a Timor”, provocou a Guerra do Ultramar (1961-1974), que causou muitas mortes, deixou Portugal em sérios problemas econômicos e políticos, além da forte pressão internacional (a ONU, principalmente os E.U.A., condenava o colonialismo).

O Estado Novo e a Revolução dos Cravos

Após o retiro de António de Oliveira Salazar, foi substituído por Marcelo Caetano desde 1968, quem, longe de ser o agente de câmbio que o país esperava, continuou as políticas de seu predecessor, que deixaram a Portugal em uma situação cada vez mais crítica.

O Estado Novo, após 41 anos de vida, foi derrubado no dia 25 de Abril de 1974, com um golpe efetuado por militares do Movimento das Forças Armadas – MFA.

Cansada da repressão, da censura e da guerra, a população apoiou ativamente as ações golpistas.

A Revolução dos Cravos, como foi conhecida esta insurreição, não causou vítimas nem feridos. O caráter pacífico deste evento explica a impotência do governo do Estado Novo para enfrentar-se aos setores de oposição.

Não Encontrou o Que Estava Procurando? Tente o Google!

Marcados com: , ,
Publicado em História de Portugal, Últimos
4 comentários sobre “Estado Novo
  1. Emanuel disse:

    Reparei que no artigo dizia que a revolução não causou feridos nem vítimas o que está incorreto. No dia 25 de Abril quando o edifício da PIDE estava cercado, estes resitiram e disparam tiros pelas janelas criando assim as únicas vitimas deste dia. Só depois deste episódio triste e de algum tempo é que foram presos. A impotência do Governo foi naquele dia a união dos militares, quem estava ao inicio da revolução a defender o Governo por estar a cumprir ordens passar para o lado dos revoltosos e assim sem ninguém,sem militares a defenderem o Governo a revolução e a rendição dos Ministros tornou-se o desenvolvimento natural dos acontecimentos.

  2. Emmett disse:

    Tens alguma referência do sucedido? Podes sempre editar o artigo ;)

  3. jrocha disse:

    O 25 de Abril de 1974, deu-se com a conivência secreta do então Presidente do Concelho Dr Prof Marcelo Caetano. O golpe revolucionário, visava a Deposição do Chefe de Estado Almirante Américo Tomaz, e a sua substituição pelo então General Spinola, continuando o Sr Prof Marcelo Caetano namesma Chefe de Governo. Mas como os militares e os opositores ao regime apanharam o poder na rua, logo aproveitaram a confusão, para meter as mãos aos cofres do Estado e a partir daí foi o que sabemos. De mediato voaram 200milhões de contos e Centenas de Toneladas de Ouro. Para onde foram? Talvez para pagar o exilo de alguns exilados e encher os cofre particulares dos amigos como se tem visto por aí fora, e só por isto continuo a dizer Viva Salazar Viva Salazar.

  4. Carlos disse:

    Olá, sou do Brasil e gostaria de aprender mais sobre a história recente de Portugal, tanto por interesse próprio, quanto a necessidade de ter tais conhecimentos para vestibulares, tentando assim vagas em universidades.
    Gostaria que os autores aprofundassem mais no assunto e disponibilizassem ‘links’ para rever termos não-compreensíveis regionalmente, agradeço, desde já,

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*

Newsletter
Questionário

Ponte 25 de Abril ou Ponte Salazar?

View Results

Carregando ... Carregando ...
Publicidade
Acerca
Bem-vindo ao HistóriaDePortugal.info, um portal informativo dedicado exclusivamente à História de Portugal.

Temos como objectivo ser o recurso mais completo na Internet sobre a História de Portugal.


Partilhar história
A História de Portugal está pouco divulgada na Internet. Ajude o HistoriaDePortugal.info a expandir através da partilha do seu conhecimento. Contamos com a sua ajuda!

Criar artigo