D. Pedro II

D. Pedro II era o filho mais novo de D. João IV, sendo o quarto na ordem de sucessão.

História de D. Pedro II

D. Pedro II nasceu em 1648 e foi o vigésimo terceiro rei de Portugal, terceiro da Dinastia de Bragança.

O reinado de D. Pedro II surgiu numa época em que era absolutamente necessária uma solução política de emergência, devido à grave conjuntura das primeiras décadas da Restauração, que era ainda bem recente e tão periclitante.

Sobre esta nova dinastia parecia pairar um destino funesto pois, o orgulho de Espanha fazia com que este Reino vizinho não desistisse de eliminá-la radicalmente por guerra de reconquista.

D. Pedro II (Autor: Imagem em domínio público)

D. Pedro II (Autor: Imagem em domínio público)

O fundador desta dinastia acabou for falecer, exausto na luta, sem ter conseguido consolidá-la. Para piorar a situação, três anos antes da sua morte, tinha-lhe falecido o seu primogénito, D. Teodósio, com apenas 19 anos de idade.

Ficou assim como sucessor, o infante D. Afonso, ainda menor, com apenas 13 anos.

Além da idade, este tinha vários defeitos que o incompatibilizavam com o exercício da realeza, entre as quais o seu doentio sentimento de inferioridade, que trouxe graves consequências políticas, sendo a principal o golpe de estado que o elevou à situação de primeiro-ministro, colocando na função efectiva de verdadeiro soberano, o conde de Castelo Melhor.

A Usurpação

A fim de fortalecer a sua posição, Afonso VI casa-se com a sobrinha do poderosíssimo rei Luís XIV de França, D. Maria Francisca Isabel de Sabóia.

No entanto, é com este casamento que começa a desgraça política do rei pois, devido à sua incapacidade física e moral, não consegue satisfazer os desejos da sua esposa.

Assim, esta acaba por se apaixonar pelo seu jovem e destemido cunhado, o infante D. Pedro, de apenas 18 anos, de quem se tornou amante.

Foi assim que ambos programaram um golpe político. Numa manhã de novembro de 1667, a rainha abandonou o Paço real e refugiou-se no Convento da Esperança. Logo o seu cunhado, acompanhado pelo Conselho de Estado, dirigem-se ao local onde ouvem a rainha.

Assim, o Conselho de Estado acabou por dar razão a esta, convencendo o rei Afonso VI a assinar a sua deposição e a entrega do Reino ao seu irmão que, em nome da rainha, assumia o papel de princípe-regente.

Afonso VI é então desterrado para os Açores e forçado a dar o divórcio a D. Maria Francisca Isabel de Sabóia. Em abril de 1668, D. Pedro casou-se então com a cunhada, tendo em Janeiro do ano seguinte a sua primeira filha com esta, a princesa D. Isabel Luísa. Foi assim que D. Pedro consumou uma dupla usurpação do trono e da esposa do seu irmão.

É também desta forma que, com apenas 20 anos, D. Pedro começa, em 1668, a sua atribulada vida política.

Inicialmente defrontou-se com a gravíssima situação económica e financeira do Portugal recém-restaurado e arruinado por vinte e oito anos de guerra sem tréguas, entre Portugal e Espanha e depois dos sessenta anos de estragos diretos e indiretos do domínio filipino.

Um Reinado Difícil Para D. Pedro II

Desde logo, D. Pedro II esforçou-se por resolver este problema chamando alguns homens notáveis, informados já pelas novas teorias económicas fisiocráticas de Colbert, o grande ministro das Finanças de Luís XIV, com o objectivo de contornar a crise.

Mas, mesmo assim, tal esforço foi em vão, restando ao país apenas aproveitar como esteio económico, o Brasil, com a sua próspera atividade agro-industrial de plantações e engenhos de açúcar, e também com a exportação de pau-brasil e outras madeiras e produtos exóticos.

Além disso, D. Pedro II recorreu-se também, complementarmente, à valorização económica dos domínios de África.

Em 1678, D. Pedro II tenta a colonização militar em Moçambique, para fixação de colonos e exploração agrícola, desenvolvendo-se assim na fertilíssima região da Zambézia um símile de capitanias donatárias, semelhantes às que existiam no Brasil, com as concessões de terras às quais se deu a designação oficial de prazos da Coroa.

Também na Guiné, em Cabo Verde e em Angola, que praticamente viviam do tráfico de escravatura, passou a incrementar-se por meios adequados o fomento agrícola e comercial, sendo criadas companhias de comércio privilegiadas, tais como as de Cacheu e Cabo Verde e outras.

Em 1683, é legitimada a regência de D. Pedro com a morte do irmão proscrito, sem descendência.

Nesse mesmo ano, faleceu também a própria rainha D. Maria Francisca, sua ex-mulher, sem outros herdeiros além da infanta D. Isabel Luísa.

Após ser proclamado em Cortes, D. Pedro II casava uma segunda vez, desta feita com D. Maria Sofia de Neuburgo, princesa bávara do Palatinado do Reno, que no ano de 1689 deu à luz um varão herdeiro, o príncipe D. João, que viria tornar-se D. João V de Portugal.

A situação financeira do país continuava a piorar a olhos vistos, até que, nos fins do século, chegava à corte a providencial notícia da descoberta de minas de ouro e brilhantes no Brasil, com a Coroa portuguesa a reclamar vinte por cento dos dividendos em impostos. Assim, o fortuito caudal de ouro e pedras preciosas que chegavam do Brasil tudo acabaria por suprir e sanar sem mais cuidados para o futuro da dinastia.

Ter-lhe-ia, pois, terminado em glória o tormentoso reinado sem a aventura militar em que por fim precipitava o Reino, acedendo a pressões inglesas para se imiscuir também, como aliado, no imbróglio inextricável da Guerra de Sucessão de Espanha, em que rigorosamente não se pleiteavam vitais interesses materiais ou políticos para a Nação, nem mesmo a defesa do seu território ou da honra nacional, que, pelo contrário, ficavam sob a permanente ameaça das contingências duma guerra, sempre imprevisíveis.

Em 1703, D. Pedro II aderiu à tripla aliança anglo-austro-holandesa contra o bloco bourbónico franco-espanhol, sendo assim obrigado a fornecer aos aliados um exército de 28 000 homens e a ceder o próprio território para teatro de operações, como a melhor base estratégica para invadir Espanha.

Inicialmente, tudo saia bem, mas ao fim de algum tempo, Espanha contra-atacou e acabou por vencer o exército anglo-português.

Assim, por ocasião da sua morte, em 1706, o rei D. Pedro II, cognominado Pacífico, deixava ao seu sucessor uma nova série de dificuldades financeiras devido a muitas das terras portuguesas se encontrarem ocupadas por exércitos espanhóis.

Não Encontrou o Que Estava Procurando? Tente o Google!

Marcados com: ,
Publicado em Reis de Portugal

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*

Newsletter
Questionário

Ponte 25 de Abril ou Ponte Salazar?

View Results

Carregando ... Carregando ...
Publicidade
Acerca
Bem-vindo ao HistóriaDePortugal.info, um portal informativo dedicado exclusivamente à História de Portugal.

Temos como objectivo ser o recurso mais completo na Internet sobre a História de Portugal.


Partilhar história
A História de Portugal está pouco divulgada na Internet. Ajude o HistoriaDePortugal.info a expandir através da partilha do seu conhecimento. Contamos com a sua ajuda!

Criar artigo