D. Manuel II

D. Manuel II (Manuel Maria Filipe Carlos Amélio Luís Miguel Rafael Grabriel Gonzaga Xavier Francisco de Assis Eugénio de Bragança Orleães Sabóia e Saxe-Coburgo-Gotha), nasceu a 15 de novembro de 1889, filho de D. Carlos I, rei de Portugal e de D. Amélia de Orleães.

Ficou conhecido como D. Manuel II de Portugal, tendo sido o 35º e último rei de Portugal, tendo-o sucedido ao seu pai D. Carlos I, depois do assassinato deste e do príncipe-herdeiro D. Luís Filipe, a 1 de Fevereiro de 1908.

À nascença, D. Manuel II recebeu os títulos de Duque de Beja e Infante de Portugal.

D. Manuel II do Nascimento a 1907

Aproximadamente um mês e meio depois da subida de D. Carlos I ao poder, nasceu D. Manuel II no Palácio de Belém, em Lisboa.

Como sempre aconteceu com os filhos do monarcas, D. Manuel II recebeu uma educação de topo.

No entanto, a sua educação foi desprovida de quaisquer preocupações políticas pois o herdeiro era o seu irmão D. Luís Filipe.

Com apenas seis anos, D. Manuel II já falava e escrevia em francês, tendo estudado línguas, história e música.

Desde muito novo, D. Manuel II mostrou o seu interesse pelos livros e pelos estudos, ao contrário do seu irmão que era mais dado a atividades físicas.

Em 1903, ambos viajaram com a sua mãe, a rainha D. Amélia de Orleães, ao Egipto, onde D. Manuel II aprofundou os seus conhecimentos das civilizações antigas.

Em 1907, D. Manuel II começou os seus estudos de preparação pra a incursão na Escola Naval, pretendendo seguir carreira na Marinha.

Regicídio de D. Manuel II

A 1 de fevereiro de 1908, D. Manuel II encontrava-se em Lisboa para se preparar para os exames da Escola naval, tendo ido esperar os seus pais e o irmão ao Terreiro do Paço.

No entanto, alguns minutos depois, ocorreu um atentado à família real, do qual resultou a morte de D. Carlos I e de D. Luís Filipe. Quanto a D. Manuel II, ele foi apenas atingido no braço.

Foi assim que o jovem D. Manuel II, com apenas 18 anos de idade e sem que tivesse sequer recebido qualquer preparação para isso, passou diretamente de segundo na linha de sucessão para o lugar de rei de Portugal, ficando conhecido como D. Manuel II de Portugal, o Patriota.

D. Manuel II

D. Manuel II

Reinado de D. Manuel II

Como rei, a primeira decisão que D. Manuel II tomou foi a de reunir o Conselho de Estado, a conselho do qual D. Manuel II demitiu o Primeiro-Ministro João Franco pois, segundo o Conselho de Estado o responsável pela tragédia ocorrida era o Primeiro-Ministro e a sua política de força.

Ao mesmo tempo, foi nomeado um governo de aclamação partidária, presidido pelo Almirante Francisco Joaquim Ferreira do Amaral. Assim, os ânimos acalmaram-se momentâneamente, mas ao mesmo tempo esta atitude foi vista pelos republicanos como uma posição de fraqueza, dando-lhes um incentivo para a luta pelo fim da Monarquia em Portugal.

A 6 de Maio de 1908, D. Manuel II foi solenemente aclamado Rei pela Assembléia de Cortes, perante os deputados da Nação e jurou cumprir a Carta Constitucional. D. Manuel II continuou fiel a este juramento, mesmo depois de deixar Portugal e durante o exílio, sendo que, pressionado a apoiar outras formas de governo e uma possível restauração, indo contra os princípios da Carta Constitucional, D. Manuel II decidiu não apoiar essas formas de luta.

No início do seu reinado, D. Manuel II granjeou a simpatia dos seus súbditos, não só devido à tenra idade com que chegou ao trono, tendo apenas 18 anos, mas também devido à tragédia que teve de enfrentar.

Nessa altura, ele foi fortemente protegido pela sua mãe, D. Amélia de Orleães, que procurou a ajuda de José Luciano de Castro.

Pensando D. Manuel II que a principal causa para o desfecho trágico do reinado de seu pai teria sido a sua intervenção direta na governação, D. Manuel II decidiu abster-se diretamente dos assuntos do governo, dizendo que o dever do rei é reinar e não governar.

Assim, D. Manuel II decidiu debruçar-se sobre a Questão Social.

D. Manuel II e a Questão Social

A Questão Social prendia-se com a preocupação por parte de algumas personalidades importantes com a sorte do crescente proletariado urbano, que foi criado ao longo do século XIX com as mudanças impostas na sociedade pela Revolução Indústrial.

Num país fortemente industrializado isso constituiria uma mais valia na apreciação do rei por parte dos seus súbditos. No entanto, dada a fraca industrialização do país, essa questão nunca chegou a ter o peso que teve em outros países, sendo este peso exacerbado pela crise económica no país e pela ação reivindicativa do Partido Republicano.

D. Manuel II ainda pretendeu apoiar-se no Partido Socialista, tentando que este partido pudesse influenciar os trabalhadores a apoiar o rei. Mas a expressão do partido era praticamente insignificante, não conseguindo sequer chegar a eleger deputados para o Parlamento.

Ao mesmo tempo, a situação política portuguesa estava continuamente a degradar-se, sendo que em cerca de 24 meses formaram-se sete governos em Portugal.

Por outro lado, o Partido Republicano crescia e, nas eleições de 28 de Agosto de 1910, fortaleceu a sua posição no Parlamento, conseguindo eleger o dobro dos deputados relativamente aos que tinha anteriormente. Tornava-se assim inevitável a vitória da luta do republicanos e a consequente implantação da República.

D. Manuel II e a Implantação da República

A 4 de Outubro de 1910, deu-se início a uma revolução que culminaria coma Proclamação da República no dia seguinte, em Lisboa. Consumada a vitória dos republicanos, D. Manuel II decidiu embarcar no iate “D. Amélia”, na Ericeira, com destino ao Porto. No entanto, os oficiais de bordo não seguiram as ordens de D. Manuel II, levando-o para Gilbraltar. Daí seguiram para o Reino Unido, onde foram recebido pelo rei Jorge V.

Já no exílio, D. Manuel II fixou residência em Londres, continuando no entanto a agir de forma patriótica, sempre zelando pelos interesses do país, colocando-os à frente dos seus próprios interesses. Assim, quando em 1915 redigiu o seu testamento, D. Manuel II declarou a sua intenção de deixar os seus bens pessoais ao Estado Português, com o objetivo de que fosse fundado um Museu e manifestando também a vontade de ser sepultado em Portugal.

A 2 de Julho de 1932, D. Manuel II faleceu inesperadamente na sua residência, sufocado por um edema da glote.

Nessa altura, o governo português, chefiado por Salazar, organizou um funeral com honras de Estado, ficando os seus restos mortais sepultados no Panteão Nacional, no Mosteiro de São Vicente de Fora, em Lisboa.

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