D. João IV

A 19 de Março de 1604, nascia em Vila Viçosa D. João, o filho de D. Teodósio (VII Duque de Bragança) com D. Ana de Velasco y Giron, D. João IV.

Ele era neto de D. Catarina de Bragança, uma das herdeiras legítimas ao trono, em grau de igualdade com Filipe II de Espanha que veio a tornar-se Filipe I, rei de Portugal.

Assim, seria tão legítimo o trono estar nas mãos de Filipe III de Portugal como se estivesse nas mãos de D. João pois ambos eram trisnetos de D. Manuel I.

Sendo o filho mais velho de Teodósio, D. João viria a tornar-se no VIII Duque de Bragança, V Duque de Guimarães e III Duque de Barcelos.

Foi ele quem fundou a dinastina de Bragança, a 4ª dinastia monárquica de Portugal.

D. João recebeu uma educação de topo, sendo instruído na língua latina, na música, na história sagrada, etc… Mais tarde, ele próprio se tornou artista e compositor de algumas peças musicais.

Quando, em 1633, D. João casou com D. Luísa Francisca de Gusmão, o seu pai já havia morrido e, portanto, D. João já era o VIII Duque de Bragança.

Dificuldades em Portugal

Já por algum tempo, Portugal era praticamente uma província espanhola debaixo do reinado de D. Filipe III de Portugal, ou D. Filipe IV de Espanha.

O rei vivia em Espanha, sendo representado em Portugal pela Vice-Rainha D. Margarida, Duquesa de Mântua, com o auxílio de Miguel de Vasconcelos, o Escrivão da Fazenda do Reino.

O descontentamento dos portugueses era generalizado, visto que o país não estava a ser governado com justiça e as colónias portuguesas eram constantemente vítimas de ataques de outros países, enquanto o rei assistia impávido e sereno a tudo isso.

Isso fez com que todas as classes portuguesas viessem a desejar a restauração da independência portuguesa.

Aclamação de D. João IV de Portugal (Autor: Imagem em domínio público)

Aclamação de D. João IV de Portugal (Autor: Imagem em domínio público)

Mas foi a partir de 1636 que D. João se começou a configurar como a pessoa desejada para substituir D. Filipe III no trono português.

No entanto, o Duque de Bragança adoptou uma atitude hesitante, com discrição e cautela por forma a que a corte de Filipe III e D. Margarida não suspeitassem de nada.

No entanto, em 1637, a ideia da restauração da independência de Portugal continuou a ganhar força no seio da nobreza, do clero, da burguesia e até do povo, e o nome de D. João passou a estar sempre associado a essa ideia.

A Restauração da Independência

Em Novembro de 1640, um grupo de conjurados planeou a revolução. Assim, João Pinto Ribeiro dirigiu-se, como representante dos conjurados, a casa de D. João para acertar os preparativas da revolução contra Espanha mas, inicialmente, D. João recusou.

No entanto, quando este confidenciou com a sua esposa a proposta que lhe haviam feito, D. Luísa convenceu-o que seria “melhor morrer reinando do que servindo”.

Assim, a 1 de Dezembro de 1640 foi posto fim ao domínio filipino que durava há 60 anos. Os restauradores mataram Miguel de Vasconcelos, atirando-o abaixo do Paço da Ribeira e D. Margarida, a Duquesa de Mântua, entregou o poder e partiu de Portugal.

No dia 6 de Dezembro, D. João chegou a Lisboa, onde foi recebido com simpatia e entusiasmo pelo povo e também pelos representantes da nobreza e do clero, sendo mais tarde, no dia 15 de Dezembro de 1640, aclamado solenemente como D. João IV, rei de Portugal.

O Reinado de D. João IV

Apesar da anterior renitência em se tornar rei, D. João IV era tudo menos um homem fraco e isso ficou bem evidente pela forma como agiu prontamente logo após ser aclamado rei.

Nessa altura, um grupo de conspiradores, entre os quais se encontravam o Inquiridor Geral, o Arcebispo de Braga e o Marquês de Vila Real, planearam entregar novamente o Reina às mãos de Espanha, mas D. João IV puniu-os severamente por isso.

Além disso, apesar de militarmente Portugal se encontrar muito debilitado, o novo rei tomou medidas imediatas, decisivas e eficazes na reorganização da defesa do país. Todas as adversidades foram enfrentadas com intenso vigor e D. João IV sempre se fez acompanhar de homens de confiança que o ajudaram de forma soberba.

Em 1646, o rei proclamou N.ª Sr.ª da Conceição como a padroeira de Portugal, oferecendo-lhe a coroa, expressando assim profunda devoção e respeito pela padroeira.

D. João IV reinou durante 16 anos, podendo destacar-se do seu reinado a forma como ele conseguiu reorganizar o exército, conseguindo mesmo vencer a Batalha do Montijo contra Espanha e conseguir o reconhecimento da independência de Portugal por parte dos vários países europeus.

Além disso, ele estabeleceu parcerias com as mais importantes nações europeias, como é o caso da Inglaterra, França, Irlanda e Holanda.

Conseguiu também recuperar alguns territórios no ultramar tais como o Brasil e alguns países de África. Foram ainda tomadas importantes medidas políticas, militares, legislativas e administrativa de modo a consolidar no poder a dinastia de Bragança que se manteve no poder enquando a Monarquia foi o modelo governativo em Portugal.

Apesar de D. João IV não ter conseguido o reconhecimento da independência portuguesa por parte de Espanha, durante todo o seu reinado ele travou a guerra da restauração que só terminou após a sua morte, já em 1668. No entanto, D. João IV deixou tudo preparado por forma a que os seus sucessores triunfassem, tal como acabou por acontecer.

D. João IV morreu em Lisboa, a 6 de Novembro de 1656 e foi sepultado no Mosteiro de S. Vicente de Fora, sendo sucedido no trono pelo seu filho D. Afonso VI.

Hoje, apesar de Portugal ser uma república, a Casa de Bragança continua a ser uma Casa influente em Portugal, sendo reconhecido em D. Duarte, Duque de Bragança, o direito legítimo ao trono caso Portugal se tornasse novamente numa Monarquia.

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Publicado em Reis de Portugal
Um comentário sobre “D. João IV
  1. Pedro Moura disse:

    Pelas leis constitucinais de 1834 da monarquia a Família do Ex- Infante D .Miguel , perde o direito a sucessão da Coroa de Portugal e todos os títulos de Nobresa. Duarte Nuno decimo filho de um
    Segundo casamento com dois irmãos mais velhos todos estragueiros proscritos pela mesma lei da
    Monarquia de 1834 e tambem da Republica em 1910. Com o fim da Monarquia termina o Ducado de Brangança com D.Manuel II . Os representantes dos Braganças portugueses são os Loulés e Lafoēs.

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