Crise de Sucessão de 1580

D. Sebastião, rei de Portugal era ainda muito jovem quando começou a reinar, mas o seu reinado durou pouco tempo.

Em 1578, o jovem rei morreu na Batalha de Alcácer-Quibir, e devido a ser ainda tão jovem, morre sem deixar herdeiro ao trono, criando a crise de sucessão de 1580.

Restava então para, ocupar o seu lugar, o cardeal D. Henrique.

Uma Solução Provisória Para a Crise de Sucessão

Assim, a 28 de Agosto de 1578, é aclamado rei de Portugal o cardeal-rei D. Henrique como uma solução provisória da crise de sucessão.

Mas, essa era apenas uma solução provisória que não resolvia definitivamente a crise de sucessão ao trono, primeiro porque o cardeal-rei era já muito idoso e por isso era certo que não reinaria durante muito tempo, e segundo porque devido ao seu voto religioso como sacerdote (cardeal), este estava impedido de ter filhos de modo que não deixaria descendência.

D. Sebastião, rei de Portugal era ainda muito jovem quando começou a reinar, mas o seu reinado durou pouco tempo (Autor: Imagem em domínio público)

D. Sebastião, rei de Portugal era ainda muito jovem quando começou a reinar, mas o seu reinado durou pouco tempo (Autor: Imagem em domínio público)

Consciente da gravidade da situação, o cardeal-rei D. Henrique decide convocar as Cortes de Lisboa de 1579 para resolver a crise de sucessão.

Análise da Crise de Sucessão

Conforme as leis daquela altura ditavam, deveria suceder ao rei o seu parente mais próximo, como tentativa de preservar o sangue real da descendência de D. Afonso Henriques na administração do Reino.

Caso existisse mais do que um parente com o mesmo grau de proximidade, então deveria ser escolhido um do sexo masculino, e se houvesse mais do que um homem com o mesmo grau de parentesco, então o mais velho deveria tornar-se rei.

Assim, afiguravam-se os seguintes candidatos por ordem de parentesco:

  • Catarina, a Duquesa de Bragança, neta de D. Manuel I
  • Filipe II de Espanha, neto de D. Manuel I
  • Emanuel Filiberto, neto de D. Manuel I
  • D. António, Prior do Crato, neto de D. Manuel I (considerado principalmente pelos nobres como ilegítimo, visto ser filho do casamento do Infante D. Luís com uma mulher da baixa nobreza)

Num grau de parentesco inferior encontravam-se também:

  • Rainúncio Farnese, Duque de Pádua, bisneto de D. Manuel I, e também os seus irmãos mais novos
  • Teodósio II, filho de Catarina e bisneto de D. Manuel I
  • João I, Duque de Bragança, marido de D. Catarina e bisneto da irmã de D. Manuel I

Se o Prior do Crato não fosse considerado ilegítimo, ele seria o sucessor natural ao trono pois era neto por parte de um dos filhos de D. Manuel I, ao passo que Filipe II e Emanuel Filiberto eram netos por parte das filhas do rei. Mas, a alta nobreza não poderia aceitar como rei alguém que tinha sangue proveniente de uma classe inferior – a baixa nobreza.

Neste caso, D. Filipe e Emanuel levavam vantagem por serem homens. Mas D. Catarina colocava-se em igual grau devido a, apesar de ser mulher, ser neta de D. Manuel I por parte de um dos seus filhos.

Isso gerou um impasse que apenas não se tornaria numa situação difícil enquanto o cardeal-rei D. Henrique não morresse. Após isso, seria gerada uma crise política com a crise de sucessão.

Morre o Cardeal-rei

A morte de D. Henrique ocorreu ainda mais cedo do que se esperava, em 1580. Entretanto, quer o cardeal, quer a comissão que ele havia reunido já tinham manifestado a sua intenção de que o reino fosse entregue a Filipe II de Espanha. Essa era também a convicção do alto clero e da alta nobreza, classes que tinham sido subornadas por D. Filipe II, não se importando de “vender” Portugal a Espanha.

Assim, Emanuel Filiberto renunciou ao trono, ficando na corrida apenas D. Filipe II e D. Catarina.

D. António, o Prior do Crato é Aclamado Rei Pelo Povo

Tanto para a baixa nobreza como para o povo, era indiferente se o sucessor ao trono era filho de mãe proveniente da alta nobreza ou não.

Por isso, para estas duas classes, o sucessor legítimo ao trono seria mesmo D. António, o Prior do Crato.

Além disso, esta solução permitiria que Portugal permanecesse independente de Espanha.

Assim, enquanto preparavam defensivamente o Castelo de Santarém contra uma ofensiva Castelhana, D. António foi aclamado rei pelo povo.

Este ficou muito surpreso e, para salvaguardar a sua posição perante o alto clero e a alta nobreza, pediu para ser chamado apenas de Regedor e defensor do Reino.

Esta era uma situação complicada para D. António pois estavam a antecipar-se a uma decisão que tinha sido deixada na mão de alguns governadores nomeados pelo cardeal-rei D. Henrique.

Se o trono fosse entregue a D. Catarina, D. António teria renunciado ao trono em seu favor.

No entanto, não foi essa a decisão dos governadores nomeados por D. Henrique.

Começo da Dinastia Filipina e o Agravamento da Crise de Sucessão

Como já era de se esperar, os corruptos membros do clero e da nobreza nomearam D. Filipe II de Espanha como rei de Portugal (D. Filipe I, de Portugal).

Mas, D. António iria bater-se até ao dia da sua morte pela tomada do trono, conseguindo para isso um apoio de peso: D. Isabel I, rainha de Inglaterra.

Após a tomada de posse de D. Filipe, D. António foi para os Açores e continuou a servir como rei deste território.

Em troca do apoio de Inglaterra, ele concedia favores a esta nação, concedendo-lhe assim o domínio do Atlântico, visto os Açores serem um arquipélago com uma localização estratégica.

Além disso, ele concederia também favores no Brasil e apoiaria a Inglaterra numa guerra contra Espanha.

Mas, D. António acabaria por morrer em 1595 e Portugal ficaria totalmente entregue a Espanha.

Apenas 60 anos depois seria restaurada a independência através de D. João II, Duque de Bragança, o neto de D. Catarina, Duquesa de Bragança e filho de Teodósio II.

Este viria a ser aclamado D. João IV, rei de Portugal e poria fim à dinastia filipina e à crise de sucessão.

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Publicado em Crise de Sucessão de 1580
2 comentários sobre “Crise de Sucessão de 1580
  1. Ines Rafaela Bahia disse:

    Não percebi quais são os pretendentes depois da morte do cardeal d.henrique aqui só fala do d.sebastião etc. não sei porque estão na pagina inicial do que eu pesquisei. obrigado!!!

  2. Avelino Acácio da Cunha disse:

    Porque D. João II foi aclamado como D. João IV ?

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