Conímbriga

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Conimbriga foi um antigo aglomerado populacional do Neolítico, que continuou a ser habitado durante a Idade do Ferro . Em 131 A.C., os romanos conquistaram Conimbriga e romanizaram-na. Atualmente fica situada nas proximidades de Condeixa-a-Nova e tornou-se numa estação arqueológica onde se continuam a fazer escavações em busca de mais novidades.

Nas ruínas de Conimbriga podemos observar uma série de casas, jardins e mosaicos policromos, para além da grande muralha, dos restos do seu Fórum, e das suas termas. Os vários vestígios materiais que foram ali encontrados provam a sua origem pré-romana. Além disso, o próprio topónimo de origem celta significa “lugar fortificado, alto e rochoso”, como aliás fica bem evidente quando visitamos o local. Este agregado urbano integrava a circunscrição administrativa da Lusitânia que ficava entre os rios Douro e Guadiana, situando-se no centro da via que ligava “Bracara Augusta” (Braga) a Olisipo (Lisboa).

Com César Augusto no comando do Império Romano, no século I D.C., Conimbriga foi transformada numa bela, confortável e desenvolvida cidade, com bonitas casas, termas públicas e um Fórum, sendo que este centro administrativo seria objeto de remodelação nos finais da primeira centúria e seria substituído por outro com maiores dimensões, ao mesmo tempo que a urbe recebia a categoria de município.

Ameaças do Norte

Mas o segundo século traria eventos ameaçadores. Vindos do Norte, os Alanos, Vândalos e Suevos partiam à conquista desse e de outros territórios do Império Romano. Assim, para se defenderem dessa ameaça, os cidadãos de Conimbriga decidiram construir uma segunda linha de defesa. Visto que não existia pedra suficiente, passaram a demolir a parte externa das muralhas, de modo que, casas, monumentos e estátuas foram destruídos e a sua pedra foi reutilizada para se erguer a nova muralha. No entanto, ainda não seria dessa que chegariam os últimos dias de Conimbriga e a cidade pode momentâneamente respirar de alívio.

Corria o ano de 465 quando Conimbriga foi novamente ameaçada. Os Suevos chegaram às portas da cidade nesse ano e três anos mais tarde conquistaram a cidade. Assim, Conimbriga entrou rapidamente em declínio pois, deixando de ter interesse económico e estratégico, os seus habitantes foram-na abandonando. Com eles seguiu também o bispo e o próprio nome, trasladados para Aeminium (Coimbra). Deste modo, durante o século VII, Conimbriga passou a ser um local vazio, sem habitantes e acabou por se tornar num lugar esquecido.

A redescoberta

Nos finais do século XIX, vários estudiosos e arqueólogos resolveram procurar esta cidade, de modo que Conimbriga voltou a reaparecer. Entre aqueles que reuniram esforços neste sentido estavam Filipe Simões, Vergílio Correia, António Augusto Gonçalves, Bairrão Oleiro, Jorge Alarcão e Adília Alarcão. Ao fim de diversas campanhas arqueológicas, era já grande o espólio recolhido.

Assim, contituiu-se o Museu Monográfico de Conimbriga que foi fundado em 1962 e, mais tarde, em 1985 foi totalmente remodelado. Este museu está dividido em duas salas, contando-nos a história dos homens que habitaram Conímbriga, a partir dos seus vestígios materiais. Na primeira sala encontram-se vários objetos ligados à circulação monetária do Império Romano e ainda secções ligadas aos ofícios e às artes da comunidade urbana. Na segunda sala é-nos revelada a reconstituição do centro administrativo da cidade, o Fórum flaviano, além de estarem também expostos belíssimos mosaicos e pinturas murais que demonstram a grande beleza colocada pelos romanos na decoração interior das suas casas. Por fim, nesta ala existe aquilo que faz parte de um mundo mais íntimo e pessoal, um espaço divinizado, que apresenta algumas lápides funerárias com as suas inscrições devotadas às diversas divindades.

Visita às ruínas

Uma visita às ruínas de Conimbriga mostra-nos ainda outros detalhes que mostram o quão importante era esta cidade, entre as várias cidades romanas. Além dos bairros de residências coletivas ou indíviduais, podemos observar aqui a “Casa Cantaber”, a maior da cidade e uma das maiores casas do mundo romano ocidental, na qual até mesmo existiam termas próprias.

Outra casa digna de nota é a “Casa dos Repuxos” que fica situada na parte externa da muralha e que é uma cas de grande requinte e beleza artística, com belos jardins e magníficos mosaicos policromos. Nestas ruínas podemos ainda observar a pesada muralha, o aqueduto, as canalizações em chumbo, a rede de esgotos, e os edifícios públicos tais como a Basílica, o Anfiteatro e o Fórum.

Assim, podemos dizer que Conimbriga é um reflexo da harmoniosa linguagem artística dos romanos virada essencialmente para a vida social e cultural da cidade.

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