Chalet Biester

Escondido nas encostas da misteriosa serra de Sintra, encontra-se uma das casas mais bonitas de Portugal, o Chalet Biester.

Existe uma grande alusão aos contos de fadas, quando se deslumbra este chalet escondido, entre as árvores circundantes ao longo da Estrada da Pena.

Características Arquitectónicas do Chalet Biester

O Chalet Biester foi construído em 1890 e o seu arquitecto foi José Luís Monteiro, tendo ele também feito outras obras como a Estação do Rossio e o aumento do Parque Eduardo VII. O Chalet Biester foi bastante inspirado no estilo do Barroco Inglês (Queen Anne), neogótico e neo-românico.

Imagem do Chalet Biester visto do Castelo dos Mouros (Autor: HistoriaDePortugal.info)

Imagem do Chalet Biester visto do Castelo dos Mouros (Autor: HistoriaDePortugal.info)

O interior do chalet foi preparado por Luigi Manini, que era arquitecto e pintor, encenando também no Teatro São Carlos. Luigi Manini foi responsável por algumas das obras do Palácio Hotel do Buçaco e também na Quinta da Regaleira, a pedido de Augusto Carvalho Monteiro.

Luigi Manini usou no seu interior vários pormenores medievais, sendo o mais predominante o gótico flamejante, estilo próprio dessa época. Os vitrais multicolores foram encomendados de França e proporcionam a aura mágica ao interior deste chalet.

Os móveis foram criados por Leandro Braga, artista entalhador que também foi responsável por algumas das peças disponíveis no Palácio da Ajuda e no Palácio de Belém.

Informações Sobre o Proprietário do Chalet Biester

O original proprietário do Chalet Biester era Ernesto Biester, um grande comerciante de cortiça, oriundo da Alemanha e que morava em Portugal à alguns anos.

No número 4 da revista A Architectura Portugueza, de 1908, é possível encontrar uma referência ao chalet:

Em detalhe, toda a construcção é um mimo. Exteriormente, o arco abatido que emmoldura a porta dupla de entrada, arco em que se ergue um balcão coberto, constitue, no seu conjuncto, um motivo delicioso em que [José Luís] Monteiro affirma, simultaneamente, o seu valor de constructor e de artista. D’uma grande simplicidade, casando-se admiravelmente com a restante fachada de que esse motivo é a parte central e principal, as columnas que, n’elle, entram, sem deixarem de representar a sua funcção structural, de supporte, são d’uma graça e leveza incomparáveis, e a maneira como Monteiro deu a máxima cor, sem volumes excessivos, a esse detalhe da fachada, é tambem uma affirmação, e boa, da sua valia.

Internamente, se Monteiro teve a collaboração de Manini e Leandro Braga que, sobretudo na sala de jantar, mostrou quão grande era o seu valor de technico e artista, a sua direcção adivinha-se em toda a parte, ainda mesmo n’um ou n’outro ponto em que a phantasia de Leandro Braga, sentindo-se mais à vontade, se expandiu por isso tambem mais livre e acentuadamente. Desenhador d’um valor que, ainda hoje, é lembrado como tal pelos seus companheiros do atelier Pascal, Monteiro, sem prejudicar a visão de Leandro Braga que era o primeiro a respeitar, detalhou até à ultima, sempre que o julgou necessario, qualquer pormenor em que Braga interveio e que Monteiro entendia estar dentro da sua alçada. No resto, Braga, subordinando-se ao plano geral, fez só o que a sua consciencia de artista lhe ditou. E assim, a obra dos dois, se por vezes se funde, funde-se sempre em virtude do esforço consciente de ambos, não trazendo por isso prejuizo a um ou a outro, mas antes dando-lhes mais lustre e gloria.

O parque que, como já dissemos, é obra de Nogré, é uma maravilha. Como Polixénes do “Conto d’Inverno” de Shakespeare, que dizia que “a arte que ajuda a natureza é a arte superior porque é, por assim dizer, ainda a natureza”, o sr. Nogré fez o seu jardim Biester no estylo da paysagem, limitando-se sempre que lhe foi possivel, acabar a obra principiada pela natureza, e isso sem esquecer a casa que o jardim tinha de enquadrar. N’esta orientação, traçou-lhe todas as ruas e alamedas de forma a fazer valer, de todos os lados e o melhor possivel, a silhueta geral do edificio. Ora avultando em pittorescos maçissos, ora ondulando, naturalmente, sem outra cobertura além da que lhe dá a herva cuidadosamente aparada, o parque valorisa-se assim com o mesmo principio de sobriedade que caracterisa, na alternação dos espaços nus e decorados, o estylo romanico. E, correndo em todos os sentidos, ao longo das três faces posteriores da casa, que umas vezes quasi desapparece sob a massa dos seus tufos, outras surge desafogada, e ainda outras apparece enquadrada e recortada da folhagem, esta oferece-se, por esta fórma, continuamente, a quem a olha de fóra, como um elemento sempre original e novo.
Notas: Na casa Biester, collaboraram as seguintes pessoas: mestre Costa, tendo por encarregado de carpinteiros seu sobrinho Carlos da Costa Soares, ambos de Cintra. Este ultimo, quando aquelle se impossibilitou por doença, substituiu-o como mestre da obra até final, mostrando a sua muita competência. Os estuques são de Domingos Antonio da Silva Meira; a esculptura em madeira de Leandro Braga e a pintura decorativa de Luigi Manini, excepto o arauto que se vê na entrada que é de Baeta, tambem distincto pintor. A guarnição de ferro forjado da grande chaminé da sala de jantar é de José da Quinta, artista serralheiro de grande valor.

Curiosidades do Chalet Biester

  • O Chalet Bister foi um dos vários cenário do filme The Ninth Gate (A Nona Porta), dirigido por Roman Polanski e onde o actor principal é Johnny Depp, no papel de um compulsivo caçador de livros raros. O filme é altamente recomendado não só pelas cenas no interior do Chalet Biester, mas também pelos outros cenários europeus de grande qualidade histórica.

Imagens de Chalet Biester

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Publicado em Chalets de Portugal
Um comentário sobre “Chalet Biester
  1. Jaime Costa Filho disse:

    maravilhoso

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