Castelo de Torres Novas

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O Concelho de Torres Novas tem uma área de aproximadamente 279 Km2, divididos por 17 freguesias nas quais moram cerca de 37 mil pessoas. Faz fronteira a norte, com Tomar e Ourém, a nascente, com o Entroncamento, a sul, com Santarém e Golegã e a poente, com Alcanena e novamente Ourém. É percorrido pelo rio Almonda que delimita o concelho a noroeste.

Mas, é na Freguesia de Santa Maria, que podemos encontrar o ex-líbris do Concelho de Torres Novas. Junto à margem do rio Almonda, numa posição dominante sobre a vila e integrando a chamada Linha do Tejo, encontramos o Castelo de Torres Novas, um antigo castelo medieval.

História

Antecedentes

Não existe consenso em relação a quais foram os primeiros povos a ocupar o sítio de Torres Novas. Alguns dizem que os primeiros foram os Gregos e os Romanos, enquanto que outros dizem que os primeiros a ocuparem este lugar foram os Celtas. Recentemente foram descobertas, em Torres Novas, as ruínas de uma povoação romana num lugar que se chamava Vila Cardilium. A julgar pelos vestígios arqueológicos aí encontrados, é bem provável que já antes dos romanos, outros povos ocupassem este lugar, existindo mesmo um outeiro que era objeto de ocupação militar naquela que era a importante via de comunicação que ligava Olisipo (Lisboa) a Conímbriga.

Assim como acontece com o lugar de Torres Novas, também não há uma data precisa para a construção do primitivo castelo.

O castelo medieval

Antes da Reconquista Cristã da Península Ibérica, Torres Novas, ou Turris como era chamada nessa altura, estava nas mãos dos Muçulmanos, e quando D. Afonso Henriques conquistou o Condado Portucalense à sua mãe e fundou o Reino de Portugal, ele logo começou a sua investida de reconquista contra esse povo. A zona onde se insere o Castelo de Torres Novas ficou mudou por diversas vezes de mãos passado ora para os portugueses, ora para os muçulmanos. Mas, em 1148, na sequência da reconquista de Lisboa e Santarém, D. Afonso Henriques e os seus exércitos conquistaram definitivamente as terras de Torres Novas, junto com o seu Castelo.

É possível que após esta conquista definitiva do Castelo de Torres Novas, D. Afonso Henriques tenha ordenado a reconstrução do mesmo e também o reforço das suas defesas. Foi também a partir daí que este local, anteriormente chamado de Torres (Turris), passou a ser chamado de Torres Novas, como forma de distinguí-lo da já existente povoação de Torres Velhas (Torres Vedras), em Lisboa. Este fato é comprovado por dois documentos de D. Afonso Henriques em que, no primeiro, em 1159, o local é chamado de Torres, enquanto que no segundo, o seu testamento datado de 1179, já aparece o nome Torres Novas.

As obras de reconstrução do Castelo continuaram após a morte de D. Afonso Henriques, mas agora sob o comando do seu filho D. Sancho I. Mas, em 1184 e mais tarde em 1190, os Muçulmanos tentaram reconquistar novamente estas terras, conseguindo mesmo tomar o Castelo de assalto, mas apenas por um curto período de tempo, acabando por ser derrotados pelos soldados portugueses. Para evitar que tal voltasse a acontecer, D. Sancho I passou a Torres Novas o seu primeiro foral que determinava a reconstrução da fortificação.

Mais tarde, o rei D. Dinis decidiu reforçar esta zona do país fundando algumas povoações entre Tomar e a Golegã. Depois doou os domínios de Torres Vedras e o seu castelo à Rainha Santa Isabel, sendo que esses domínios viriam a passar posteriormente para a posse dos seus Infantes. Alguns anos depois, Torres Novas viria a elevar-se à categoria de ducado.

Existe uma lenda local que conta que na altura da invasão castelhana de 1372, Gil Paes, o Alcaíde-Mor de Torres Novas, viu um dos seus filhos ser aprisionado quando a vila foi tomada. Quando os castelhanos cercaram o Castelo de Torres Novas, eles exigiram que Gil Paes entregasse o castelo em troca do seu filho. Mas o masgistrado recusou-se de forma determinada a fazer tal concessão e, por isso, viu o seu filho ser executado às portas do castelo.

Depois das lutas de 1372 com Castela, o rei D. Fernando I ordenou que fossem feitas obras de ampliação ao castelo e também que a cerca da vila fosse ampliada. Como pode ser verificado numa inscrição que se encontra sobre o antigo Arco do Salvador, essas obras tiveram início em 2 de janeiro de 1374 e terminaram em 1376.

Em outubro de 1384, durante as batalhas que envolveram Portugal e Castela, as forças de D. João I, rei de Castela, tomaram o Castelo de Torres Novas e ficaram aí alojadas. Mas, passados alguns meses, com a vitória dos portugueses na Batalha de Aljubarrota, o castelo passou novamente para a posse dos portugueses.

Do século XVIII aos nossos dias

Com o passar do tempo, a vila de Torres Novas começou a perder expressão face a outros lugares ao redor e o Castelo de Torres Novas perdeu a sua importância. Assim, quando em 1755 ocorreu o terramoto de Lisboa, tendo o castelo sido muito abalado, tendo quatro das suas torres e diversos troços da muralha ruído, este ficou totalmente abandonado. Já no século XIX, as tropas de Napoleão ocuparam a vila de Torres Novas e a cerca medieval ficou ainda mais destruída.

Esta deterioração apenas parou quando, em 23 de Junho de 1910, o Castelo de Torres Novas foi considerado como Monumento Nacional. Assim, a Direção Geral do Edifícios e Monumentos Nacionais promoveu algumas obras de consolidação e restauro, quer na década de 1940, quer na década de 1970. Assim, nos nossos dias, o Castelo de Torres Novas encontra-se em bom estado de conservação e é o principal ponto de atração turística do Concelho de Torres Novas.

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