Cadeia da Relação (Porto)

A Cadeia da Relação situa-se na cidade do Porto, em Portugal, e é um edifício histórico. Nem sempre funcionou como cadeia.

Funcionou em vários locais da cidade do Porto, desde a Albergaria dos Palmeiros, em 1461 até uma casa junto à sé, em 1504.

O Tribunal da Relação do Porto, iniciou funções na Antiga Casa da Câmara, a 27 de julho de 1582, na falta de instalações. Por isso, o edifício passou a chamar-se de Paço da Rolaçon.

Poucos anos depois, transferiu-se para o Palácio dos Condes de Miranda até 1608 no já inexistente Largo do Corpo da Guarda.

Imagem da Cadeia da Relação

Imagem da Cadeia da Relação

Manteve-se em atividade, sem sede própria, mais de vinte anos.

Em 1603, Filipe II ordenou a construção de uma casa para receber a Relação e a Cadeia, o que se iniciou em 1606, no Vampo do Olival e se prolongou 3 anos. As obras foram pagas com dinheiro proveniente das remissões dos dgredos para África, para resgatar a pena a cumprir cá.

Foi feito um edifício enorme e muito caro, mas mal construído, pois no dia 1 de abril de 1752, em sábado de Aleluia, ruiu por completo.

A  Relação regressou às instalações da Câmara Municipal.

História da Cadeia da Relação

Em 1765, por iniciativa do regedor das Justiças e Governador das Armas do Porto, começou a ser feita uma nova casa sobre os destroços da anterior, de acordo com uma planta feita para tal por um engenheiro e arquiteto, interveniente na reconstrução da Lisboa pombalina.

Depois, foi secundada por um oficial de engenharia, na morte do engenheiro e arquiteto que elaborou a planta. Demorou 30 anos a concluir a obra, terminada em 1796, albergando a sede do Tribunal da Relação e servindo de cadeia até ao presente.

Trata-se, pois, de um edifício de referência na história do Porto:

  • As enxovias apresentavam nomes de santos diferentes para homens (Santo António, Sant`Ana), mulheres (Santa Teresa) e menores (Santa Rita)
  • A prisão-oficina (Senhor de Matosinhos)
  • As prisões de castigo (São Vítor)
  • Salões para homens e mulheres (do Carmo e de São José), que se diferenciavam das celas por terem chão de madeira, em que se pagava para ficar neles
  • A sala do tribunal havia mesmo uma capela para um sacerdote dizer missa, todos os dias, de manhã, na casa da Relação.

Detidos Ilustres na Cadeia da Relação

Em algumas das celas estiveram presentes alguns presos ilustres:

– no número 8 dos quartos de Malta estiveram os Mártires da Pátria: o duque da Terceira; detido em outubro de 1846, com diversos generais e oficiais;

– no quarto de São João, em 1860, esteve Camilo Castelo Branco e no pavilhão das mulheres esteve Ana Plácido, acusados do crime de adultério;

– na cela de Camilo esteve o banqueiro Roriz;

– no quarto seguinte, Urbino de Freitas, professor da Faculdade de Medicina, por alegadamente, ter envenenado os sobrinhos para lhes roubar a herança;

– o salteador Zé do Telhado, o caudilho miguelista Pita Bezerra, o jornalista político João Chagas foram outros dos célebres ocupantes.

A Morte da Cadeia da Relação

Já no século XX, em 1961, inicia-se a construção do novo estabelecimento prisional do Porto, em Custóias, com plano do arquiteto Rodrigues Lima.

Contudo, abandonou-se a estrutura inicial e o edifício nunca foi construído. Em 29 de abril de 1974, foi ocupado pelos reclusos da Cadeia da Relação, por razões de força maior e determinação superior.

O novo Estabelecimento Prisional do Porto, em Custóias, começou a receber, de forma irregular, reclusos preventivos. Estes aguardavam julgamento perto do local do tribunal, tal como na cidade do Porto, tendo sido alargado para aumentar a sua lotação, substituindo por completo a Cadeia da Relação.

Em 1974, houve a ocupação revolucionária do edifício da Cadeia da Relação. Também grupos e famílias aí se abrigaram, o que levou ao desgaste inesperado do edifício, que rapidamente se degradou.

Utilidade Atual da Cadeia da Relação

Iniciaram-se trabalhos de restauro no edifício, em 1988, pelo Instituto Português do Património Arquitetónico, num projeto do arquiteto Humberto Vieira. Contudo, nenhum programa de utilização foi superiormente delineado.

No ano de 1997 criou-se o Centro Português de Fotografia, com sede na antiga Cadeia da Relação, estabelecido pelo Ministro da Cultura, tendo as primeiras exposições sido inauguradas em dezembro do mesmo ano.

O rés-do-chão funcionou como espaço de exposição até dezembro de 2000, tendo fechado nesta data para finalizarem obras de renovação e adequação do edifício para o efeito, projeto confiado aos arquitetos Eduardo Souto Moura e Humberto Vieira.

Em outubro de 2001, a Cadeia e Tribunal da Relação do Porto reabriu. Atualmente, integra todos os serviços do Centro Português de Fotografia.

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Publicado em Edifícios de Portugal
3 comentários sobre “Cadeia da Relação (Porto)
  1. Paulo Alves disse:

    Creio que — ali ao centro da imagem — falta um frontão Neoclássico. Deverá ter-se desmoronado muito cedo porque não encontro nenhuma imagem na Net, tão antiga onde o mesmo seja visível, mas creio ser notório que falta ali qualquer coisa. Será que alguém possui uma imagem antiga onde se veja esse frontão?

    Paulo Alves

  2. Paulo Alves disse:

    Creio que — ali ao centro do edifício — falta um frontão Neoclássico. Deverá ter-se desmoronado muito cedo porque não encontro nenhuma imagem na Net, tão antiga onde o mesmo seja visível, mas creio ser notório que falta ali qualquer coisa. Será que alguém possui uma imagem antiga onde se veja esse frontão?

    Paulo Alves

  3. Boa tarde!

    Apesar de ser três anos depois da sua pergunta, deixo-lhe aqui um link onde se vê uma maquete da Cadeia da Relação com o tal frontespicio!
    Cumprimentos

    http://luadmarfim.blogspot.pt/2012_08_01_archive.html

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