Aqueduto das Águas Livres de Lisboa

O Aqueduto das Águas Livres de Lisboa, como o nome indica, é um sistema complexo de captação e distribuição de água à cidade de Lisboa.

A sua obra mais emblemática é a grandiosa arcaria em cantaria que se ergue sobre o vale de Alcântara, sendo este um dos bilhetes postais de Lisboa.

O Aqueduto das Águas Livras de Lisboa foi construído durante o reinado de D. João V e resistiu incólume ao Terramoto de 1755.

Antecedentes do Aqueduto das Águas Livres de Lisboa

No ano de 1571, Francisco de Holanda propôs ao rei D. Sebastião de Portugal que estabelecesse uma rede de abastecimento de água que servisse a cidade de Lisboa, sendo que essa rede já tinha sido iniciada pelos romanos.

Aliás, os vestígios do aqueduto romano que ainda existiam nessa altura eram ainda suficientes para que tivessem sido considerados, em 1620, como forma de transporte das Águas Livres de Lisboa.

Alguns anos mais tarde, o rei D. Filipe II de Portugal instituiu o real da água, um imposto sobre a carne e vinho que tinha como objectivo principal o financiamento das obras de construção do sistema de abastecimento de água para a capital.

No entanto, o projecto não chegou sequer a ser iniciado, tendo o dinheiro angariado por esse imposto sido utilizado para ajudar pobres e doentes, e também para financiar a guerra no Brasil e na Índia.

Construção do Aqueduto das Águas Livres de Lisboa

Estando preocupado com a falta de água na cidade, em 1728, o Procurador de Lisboa estabeleceu, assim como já tinha sido feito por D. Filipe II, uma taxa sobre a carne, vinho, azeite e outros produtos alimentares com o objetivo de arranjar financiamento para a construção do aqueduto.

Um ano mais tarde, em 1729, foram nomeados três homens para a elaboração do plano de construção do sistema que deveria incluir a construção de um troço monumental do aqueduto sobre o vale de Alcântara.

Esses três homens eram o arquiteto italiano António Canevari, o Coronel Engenheiro Manuel da Maia e o arquiteto alemão João Frederico Ludovice, que foi o responsável pelo projeto do Convento de Mafra e de outras obras da mesma época.

Dois anos depois, em 1731, o rei D. João V de Portugal promulgou um Alvará Régio que ditava o início do projeto. Um ano depois, António Canevari foi afastado da direcção do empreendimento, sendo substituído por Manuel da Maia, que já era um dos autores da obra.

Este orientou o traçado que o aqueduto iria seguir desde a nascente até à cidade de Lisboa. O sistema terminaria num enorme “cálice” a partir do qual iriam sair as várias condutas que ligariam aos muitos chafarizes espalhados por Lisboa.

Imagem do Aqueduto das Águas Livres de Lisboa (Autor: pedrosimoes7 @ Flickr)

Imagem do Aqueduto das Águas Livres de Lisboa (Autor: pedrosimoes7 @ Flickr)

Assim, a opção foi por um aqueduto forte mas não magnífico, sendo construído ainda assim um castelo monumental já dentro da cidade onde chegaria a água, edifício esse que a população poderia melhor apreciar devido à sua proximidade.

No entanto, passaram cinco anos do Alvará Régio, e as obras ainda não tinham sequer sido iniciadas. Por isso, Manuel da Maia, então responsável pelo projecto, foi substituído por Custódio Vieira.

Assim, as obras tiveram início, sendo no entanto de forma muito lenta devido a atritos com os mais altos responsáveis pela obra, entre os quais o prior de S. Nicolau.

Foi apenas no ano de 1740 que começou a ser construído o troço mais conhecido e mais visível do aqueduto. Quatro anos depois, em 1744, terminou a construção do Arco Grande, sendo que, nesse mesmo ano, morre Custódio Vieira.

Assim, a obra passou a ser dirigida pelo húngaro Carlos Mardel, homem esse que haveria de ter um papel crucial na reconstrução da Baixa Pombalina, após o terramoto de 1755.

Foi ele que decidiu que a Mãe d’Água devia ficar instalada perto do Rato, nas Amoreiras, ao invés do que constava da proposta inicial de se localizar em S. Pedro de Alcântara.

Esta solução foi muito questionada e criticada, sobretudo por Ludovice, um dos autores do projeto inicial, que queria que o “cálice” fosse construído onde inicialmente tinha sido pensado, mas mesmo assim a obra continuou.

Foi apenas em 1748, com a finalização dos 12 arcos de volta perfeita das Amoreiras, que o aqueduto ficou terminado, transportando diariamente cerca de 1300 metros cúbicos de água, ou seja, três vezes mais que a oferta original.

Aqueduto das Águas Livres de Lisboa na Atualidade

Nos nossos dias é possível fazer um passeio guiado pela arcaria do vale de Alcântara e também, embora apenas ocasionalmente, visitar o reservatório da Mãe d’Água das Amoreiras, o Reservatório da Patriarcal e troços do aqueduto geral na região de Belas e Caneças.

Imagens do Aqueduto das Águas Livres de Lisboa

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