Álvaro Guerra
Álvaro Guerra foi um escritor romancista e diplomata português, licenciado em Direito pela Faculdade de Direito de Lisboa. Nasceu em Vila Franca de Xira a 19 de Outubro de 1936 e o seu nome verdadeiro era Manuel Soares, usando Álvaro Guerra como nome literário. Álvaro Guerra foi também o fundador do jornal “A Luta”, além de ter sido ficcionista, poeta, ensaísta e diplomata.
Obra Literária
Foi no ano de 1966 que Álvaro Guerra se estreou com a publicação do romance “Os Mastins”, cujo prefácio foi redigido por Alves Redol, que a dado momento refere que “Em certas épocas o local onde se nasce ou se cresce para a vida, mesmo que tal ocorra já na idade adulta, conta mais do que os liames do sangue. Vila Franca de Xira é um desses lugares.” Logo desde a publicação desse primeiro romance, a crítica assinalou a presença de um poderoso e original autor de ficção cuja trajectória, que é repartida por múltiplos e cruzados endereços, acaba por enriquecer semanticamente a obra.
Álvaro Guerra, um coerente defensor do socialismo democrático, valeu-se da sua vasta experiência em diversos campos da vida, tais como a guerra colonial na Guiné, onde foi ferido em combate, os seus tempos de Paris, cidade onde chegou a viver durante cerca de três anos, o seu envolvimento ativo na preparação do golpe militar levado a cabo em 25 de Abril de 1974, a situação que foi criada no jornal “República”, que acabou por se converter num símbolo de resistência democrática após a demissão, pela força, do corpo redactorial em 1975, a fundação do jornal “A Luta”, o tempo que trabalhou como Diretor de Programas da Radiotelevisão Portuguesa, o período em que foi assessor do presidente Ramalho Eanes e os seus périplos diplomáticos, para angariar um valioso capital de experiência que passou a usar nos seus textos ora violentamente sarcásticos, ora veementemente solidários, entrando assim em rutura com os cânones formais do neo-realismo mas em consonância com os seus objectivos.
Assim, a lição do novo romance, na forma temporal fragmentada da narrativa servida por um contínuo verbal muito dinâmico, acaba por movimentar a escrita do jovem autor, escrita essa que atinge, talvez, a sua expressão mais autêntica no seu romance, publicado em 1970, intitulado “A Lebre”, que foi considerado o melhor livro de ficção publicado em 1970. Nesse romance é contado o caso de uma mulher que logra escapar-se das malhas do poder marialva e machista de pai e filho que é ficcionado a par da história de uma lebre em fuga perante dois galgos, igualmente pai e filho e igualmente frustrados no seu ataque cego aquém parece ser o mais fraco. A simbologia desta obra é óbvia, sendo no entanto a articulação dos planos espacio-temporais considerada, naquela época, como uma novidade.
Existem ainda três obras de sua autoria que ficaram conhecidas como a “trilogia dos cafés”, com os temas “Café Républica”, “Café central” e “Café 25 de Abril”, que cobrem um período conturbado da história de Portugal, com começo na I República e término no 25 de Abril de 1974. É interessante que o rigor cronológico destas obras contrasta com o uso do tempo observado nos trabalhos anteriores.
A obra “O Disfarce” acaba no entanto por ser o seu livro mais deliberadamente comprometido com a denúncia da guerra colonial, tendo sido traduzido em França em conjunto com a sua primeira obra “Os Mastins”.
Reconhecimento Nacional e Internacional
Algumas das suas obras tornaram-se objectos de estudo em algumas universidades portuguesas e estrangeiras. Álvaro Guerra recebeu diversas condecorações, entre as quais a Grã Cruz da Ordem do Infante D. Henrique, a Grã Cruz da Ordem de Benemerência, a Grande Oficial da Ordem da Liberdade, a Ordem da Bandeira Vermelha da Jugoslávia, a Ordem da Bandeira Vermelha da Jugoslávia com palma e cordão, e Comendador da Ordem do Leopardo do Zaire.
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