Almeida Garrett

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A 4 de Fevereiro de 1799 nascia no Porto João Baptista da Silva Leitão de Almeida Garret, o segundo filho de António Bernardo da Silva Garret e de Ana Augusta de Almeida Leitão. O seu avô materno, José Bento Leitão, era o proprietário da Quinta do Sardão em Oliveira do Douro, Vila Nova de Gaia e foi aí que Ameida Garret passou a sua infância. É por isso que mais tarde ele escreveu: “Nasci no Porto, mas criei-me em Gaia”.

Quando era já um adolescente, aquando das invasões francesas, Almeida Garret foi viver para a Ilha Terceira nos Açores onde era instruído pelo seu tio D. Alexandre, o Bispo de Angra. Foi aí que Almeida Garret conheceu Luísa Midosi com quem casou, quando ela tinha apenas onze anos, e a quem engravidou.

Em 1816, Almeida Garret partiu dos Açores para Coimbra, onde viria a tirar o curso de Direito. Cinco anos depois, Almeida Garret publicou “O Retrato de Vénus”, trabalho que lhe valeu um processo sob a acusação de ser imoral, materialista e também ateu.

Imagem 1 - Almeida Garret

Imagem 1 - Almeida Garret

Em 1820, Almeida Garret foi um dos que participaram na revolução liberal, mas em 1823, após a Vilafrancada, ele viu-se obrigado a exilar-se em Inglaterra. Foi aí que ele teve os primeiros contatos com o movimento romântico tornando-se conhecedor de Walter Scott, Shakespeare e ainda outros autores românticos.

Em 1824 ele partiu para França onde escreveu “Camões”, em 1825, e “Dona Branca”, em 1826. Nesse mesmo ano de 1826, Almeida Garret foi convidado a regressar a Portugal, convite esse que ele aceitou. Em Portugal, Almeida Garret passou a dedicar-se ao jornalismo, acabando mesmo por fundar e dirigir o jornal diário “O Português” e o semanário “O Cronista”.

Com o regresso do absolutismo em 1828, no reinado de D. Miguel, Almeida Garret vê-se novamente obrigado a deixar Portugal e a partir para Inglaterra. Nesse mesmo ano, já em Inglaterra, ele publicou “Adozinda.

Juntando-se a Joaquim António de Aguiar e a Alexandre Herculano, Almeida Garret participou no Desembarque do Mindelo e no Cerco do Porto em 1832 e 1833, respectivamente.

Imagem 2 - Almeida Garret

Imagem 2 - Almeida Garret

Com a vitória do liberalismo, e após uma curta estadia em Bruxelas onde exerceu o cargo de cônsul geral e encarregado de negócios e onde teve a oportunidade de ler Herder, Schiller e Goethe, Almeida Garret decide regressar a Portugal. Nos anos 30 e 40 Almeida Garret exerceu diversos cargos políticos e ficou conhecido como um dos maiores oradores da época. Em termos culturais, Portugal deve a Almeida Garret a criação do Conservatório de Arte Dramática, da Inspeção Geral dos Teatros, do Panteão Nacional e do Teatro Nacional D. Maria II. Almeida Garret procurou também renovar a produção dramática nacional adaptando aos parâmetros internacionais.

Almeida Garret ficou também conhecido como um sedutor. A sua primeira esposa foi Luisa Midosi. Depois ele viveu em mancebia com D. Adelaide Pastor até 1841, ano em que esta morreu. A partir de 1846 passou a inspirar-se na viscondessa da Luz, Rosa Montufar Infante que era casada com um oficial do exército português.

A 25 de Junho de 1851, João Baptista da Silva Leitão de Almeida Garret é agraciado pelo rei D. Pedro V de Portugal com o título de Visconde. Este título foi posteriormente renovado por mais duas vezes. Em 1852, Almeida Garret regressa à vida política assumindo a pasta dos Negócios Estrangeiros num governo presidido pelo Duque de Saldanha, função essa que exerceu apenas por alguns poucos dias.

Em 1854, Almeida Garret falece em Lisboa, na sua casa que ficava na Rua Saraiva de Carvalho, em Campo de Ourique, vítima de cancro.

Apesar de não ser consensual, Almeida Garret é tido por muitos como um dos maiores escritores portugueses de sempre, sendo superado apenas por Luiz de Camões. Independentemente do que se possa dizer, Almeida Garret merece, no mínimo, ser considerado como o autor mais representativo do romantismo em Portugal.

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