Alberto Pimenta

A 26 de Dezembro de 1937, nascia no Porto o escritor, poeta e ensaísta português, Alberto Pimenta.

A sua obra destaca-se em relação à de outros autores europeus contemporâneos pelo caráter crítico e reverente em que é apresentada, para além da diversidade dos géneros abordados, entre os quais a poesia, o teatro, a ficção, a linguística, a crítica e ainda através de happenings e performances.

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Vida e Obra de Alberto Pimenta

Alberto Pimenta foi leitor de português em Heidelberg, tendo sido contratado pelo governo português a partir de 1960.

No entanto, devido à sua luta contra o regime fascista salazarista e também à sua oposição à política colonialista em África, o governo demitiu-o três anos mais tarde, em 1963.

No entanto, apesar de ser demitido pelo governo português, ele foi contratado diretamente pela Universidade de Heidelberg, de modo que aí permaneceu até que o regime fascista português caísse, regressando a Portugal em 1977.

Entretanto, Alberto Pimenta havia já publicado “ O labirintodonte”, em 1970, “Os entes e os contraentes”, em 1971, e “Corpos estranhos”, em 1973.

Foi nesse ano que Alberto Pimenta publicou o livro de poesia “Ascensão de dez gostos à boca”.

Ainda nesse ano, Pimenta realizou um happenning histórico ao trancar-se numa jaula no Jardim Zoológico de Lisboa, ao lado de uma outra jaula onde estavam dois macacos, empunhando uma tabuleta onde estava escrito “Homo sapiens”.

Alberto Pimenta (Autor: Pierredelgado)

Alberto Pimenta (Autor: Pierredelgado)

Tal acontecimento foi registrado num livro com o mesmo nome.

Foi também em 1977 que ele lançou o seu livro mais traduzido, “Discurso sobre o filho-da-puta”, uma obra sem classificação possível que se avizinha do ensaio.

Alberto Pimenta destacou-se também pelas suas suas obras teóricas, das quais se destacam “O silêncio dos poetas”, lançada inicialmente em itália, em 1983, e “A magia que tira os pecados do mundo”, lançada em 1995. O livro “O silêncio dos poetas” é relativo a um estudo sobre a poesia concreta e visual, utilizando como base as poesias brasileira e alemã.

O livro “A magia que tira os pecados do mundo” é uma obra de base teórica anti-platónica, que se encontra dividida em vinte e duas partes, sendo que cada uma delas corresponde a um dos arcanos maiores do tarot.

Entre os objetos desse livro bastante invulgar podemos encontrar arquétipos, mitos, literatura de autores notáveis, tais como Camões, Shakespeare, Fernando Pessoa, Dante, Emílio Villa, António Boto, Haroldo de Campos e Murilo Mendes, e ainda obras de artistas plásticos como é o caso de Pablo picasso, Oscar Kokoschka e Yves Klein.

A partir da década de noventa, Alberto Pimenta passou a direcionar a sua obra mais diretamente para os fenómenos ligados à globalização. Por exemplo, em 1998 escreveu o poema longo “ Ainda há muito para fazer”. Neste, o poeta parodia os discursos publicitários e da internet, além de retratar os efeitos sociais da União Europeia e também da Guerra do Kosovo.

Já no século XXI, no ano de 2005, lançou o livro “Marthiya de Abdel Hamid segundo Alberto Pimenta”, uma obra poética que retrata a invasão do Iraque por parte dos Estados Unidos da América. Além deste, lançou ainda o texto em prosa “Deusas ex-machina”, em 2004, e os poemas “Grande colecção de inverno 2001-2002”, em 2001, “Tijoleira”, em 2002, “Imitação de Ovídio”, em 2006, “Indulgência plenária” e “Planta rubra”, em 2007, e “Prodigioso Acanto”, em 2008.

Após ter trabalhado com várias editoras, as mais recentes obras de Alberto Pimenta têm sido publicadas pela &etc, editora pertencente a Vitor Silva Tavares de quem é muito amigo.

Atualmente, Alberto Pimenta trabalha como professor convidado da Universidade Nova de Lisboa, mas continua a ser considerado um autor controverso no meio académico português, devido ao caráter insurreto e experimental da sua obra. Mesmo assim, apesar de incompreendido em vida, como no caso de muitos, a sua obra provavelmente só será plenamente reconhecida quando Alberto Pimenta já cá não estiver para observar esse mesmo reconhecimento.

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Publicado em Cultura de Portugal, Escritores Portugueses, Últimos
Um comentário sobre “Alberto Pimenta
  1. kkkkk disse:

    Isto é muuito interessante ;)

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