AFEGANISTÃO (REPÚBLICA DO AFEGANISTÃO)
AFEGANISTÃO (REPÚBLICA DO AFEGANISTÃO)
Estado do SL. da Ásia situado no sector NE. do planalto do Irão, junto à serra do Pamir. Limitado a N. pelo Turcomenistão, Uzbequistão e Tadjiquistão; a NE., pela China; a E. e a S., pelo Paquistão, e a O., pelo Irão. Geografia física. Afeganistão está situado numa região de planícies elevadas, acidentadas por cadeias montanhosas que se estendem paralelamente de SL. a NE., encerrando várias planícies e depressões. A alienação principal compreende o Paropamisos, o Band-i-Bawan, o Kuh-i-Baba e o Hind¯u K¯us, que culmina no cume do Tarash Mir (7.680 m) e enlaça, no extremo NE. do país, com o planalto do Pamir (Tadjiquistão). A N. do Paropamisos eleva-se o maciço dos montes Band-i-Turquistão, e a S. encontram-se o Saf¯id K¯uh (4.733 m) e os montes Sulaym¯an. No centro-N. encontra-se a planície de estevas do Turquistão, fronteiriça com Turcomenistão e Uzbequistão, e os tórridos desertos arenosos de Rigistão ocupam o sector SL. Os rios afgãos experimentam fortes subidas durante o desgelo, na primavera, sendo aproveitados para a produção hidroeléctrica. Os principais são o Am¯u Dary¯a, que forma a fronteira setentrional junto à depressão do Turquistão, Hasr¯? R¯ud e o Murg¯ab, no NL., e o Kabul, afluente do Indo, em cujo vale se ergue a capital, a cidade homónima. Clima e vegetação. O clima é continental rigoroso, com consideráveis oscilações entre as temperaturas diurnas e nocturnas. Geralmente, os invernos são frios, com mínimas absolutas que descem abaixo dos 0 °C, e os verões muito quentes, superando com frequência os 45 °C à sombra. A pluviosidade é escassa; as chuvas dão-se entre Outubro e Abril, e a média anual de precipitações situa-se à volta dos 500 mm, que decrescem consideravelmente a E. e a S., acima dos 4.000 m de altitude, encontram-se as neves perpétuas. Na franja ocidental, de Junho a Setembro, sopra um vento extremamente forte que provoca temíveis tempestades de areia. A vegetação compreende algumas zonas de bosque nas montanhas (cedros, carvalhos, pinheiros), a esteva herbácea no N. (Turquistão) e as espécies xenófilas no S¯stán. Economia. O país mantém uma estrutura quase medieval que constitui um sério obstáculo ao seu desenvolvimento político e económico. A exploração dos recursos naturais é muito limitada, as comunicações são deficientes e o secular atraso que sofre a população agravou-se nas duas últimas décadas, com a luta das guerrilhas islâmicas e entre facções. A agricultura, apesar de as terras cultiváveis representarem pouco mais de 12% da superfície total, ocupa mais da metade da população activa, que utiliza todavia meios muito rudimentares e técnicas atrasadas. As principais culturas (cereais, algodão, beterraba açucararia, legumes, hortaliças,) prosperam em alguns vales graças à fertilidade dos solos lodosos e à rega por canais e minas de água. A ganadaria alcança em contrapartida uma importância considerável, uma vez que as tribos nómadas aproveitam os pastos das zonas montanhosas e das estevas para a criação de camelos, cavalos, bovinos, cabras e um considerável rebanho ovino de raça caracul (astracão) que proporciona lã muito apreciada no mercado internacional. Do subsolo, que possui uma grande variedade de reservas minerais (ouro, prata, ferro, cobre, chumbo) cuja exploração é todavia deficiente, apenas se obtém gás natural como produto exportável. A indústria está pouco desenvolvida, destacando-se unicamente o sector têxtil algodoeiro. Em troca conserva-se a tradicional fabricação manual de tapetes e tapeçarias. Geografia humana. A população compreende duas principais maiorias que pertencem ao grupo étnico iraniano: os afgãos (55%), cuja língua é o pashtu, e os tadshicos (20%), que falam o dari, uma das formas modernas do persa, e como principais minorias os usbecos (9%), hazaris (9%), beluchis, etc. A densidade demográfica é relativamente baixa (25 hab. por km2). O crescimento vegetativo, muito elevado até à segunda metade do s. xx, foi-se estabilizando na actualidade em limites mais moderados (2% anual). Predomina a população rural, situando-se o índice de população urbana em volta dos 17%. As principais cidades do país, das quais apenas a capital (Kabul) ultrapassa o milhão de habitantes, erguem-se ao longo das antigas rotas de caravanas. História. No século iv a.C., o território do actual Afeganistão foi incorporado no império persa aqueménida, dividido em várias satrapias. Conquistado por Alexandre o Grande (h. 328 a.C.), foi governado durante três séculos por uma dinastia helenística e passou, sucessivamente, ao reino seléucida, ao reino grego de Bactriana, ao império persa sasánida, aos hunos heftalitas e de novo, até à conquista árabe, ao império sasánida. Os árabes conquistaram Herat no ano 651, mas até ao s. ix não tinham completado a ocupação do país, que foi submetido por Gengis Kan em 1220. Entre os ss. xvi e xvii foi dividido entre a Pérsia e o império mongole, até que a dinastia persa dos safawies foi derrubada por Nadir Sha (1737), que durante o seu reinado anexou a Pérsia. Sucedeu-lhe ao trono o emir Ahmahd Sha Durrani (1747), considerado fundador do reino dos afgãos. Este conquistou o N. da Índia e tomou por duas vezes a capital, mas os seus sucessores não puderam conservar este império, contudo mantiveram a unidade do Estado. No s. xix, o Afeganistão foi palco dos conflitos entre a Grã-Bretanha e a Rússia, cuja expansão pela Ásia Central inquietava os britânicos. Os russos renunciaram-se a intervir na região em 1907 e a Grã-Bretanha estabeleceu nela um protectorado encoberto. Finalmente, o assassinato do emir Habib Allah (1919) provocou uma nova guerra anglo-afgã que seria o prólogo do reconhecimento da independência por parte da Grã-Bretanha, facto que se deu em 1921. O emir Nadir Shah, no trono desde 1933, introduziu algumas reformas para ocidentalizar o país, estabeleceu vínculos de amizade com a antiga U.R.S.S. e manteve a neutralidade durante a Segunda Guerra Mundial. Posteriormente suportou um grande confronto com o Paquistão e a Grã-Bretanha pelas suas pretensões sobre o Pathanistão, que provocaram uma ruptura de relações (1961-1963) e quase um conflito armado. Em 1973, um golpe de Estado derrubou a monarquia e instaurou a República, cuja presidência passou a ocupar, em 1989, Mohamed Taraki, fundador do partido comunista. O seu assassinato em 1979 provocou a intervenção da U.R.S.S.
AFRANCESADO, DA
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1.- adj. Que imita com afectação os franceses. U. t. c. s.
2.- Que gosta de imitar os franceses.
3.- Partidário dos franceses. Diz-se dos que na guerra da Independência aceitaram as doutrinas de Napoleão. U. t. c. s.
4.- O termo afrancesado surgiu desde os primeiros anos da guerra da Independência.
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