Adolfo Rocha

Adolfo Rocha natural de S. Martinho de Anta, conselho de Sabrosa, nasceu a 12 de Agosto do ano de 1907, acabando por falecer a 17 de Janeiro de 1995, sendo sepultado na aldeia natal.

De nome próprio, Adolfo Correia da Rocha, adoptou o pseudónimo de Miguel Torga porque segundo o próprio «Torga é uma planta transmontana, urze campestre, cor de vinho, com as raízes muito agarradas e duras, metidas entre as rochas.

Assim como eu sou duro e tenho raízes em rochas duras, rígidas, Miguel Torga é um nome ibérico, característico da nossa península…».

História de Adolfo Rocha

Completada a 4ª classe com distinção, o seu pai tinha lhe dito: “tens de escolher… aqui não te quero. Por isso resolve: ou o seminário de Lamego ou Brasil”.

Daí a pouco lá ia o rapaz rumo a Lamego: «ia na frente, de fato preto, montado, a segurar o baú de roupa que levava diante de mim. Meu pai e minha mãe vinham atrás, a pé, ele com os ferros da cama às costas e ela de colchão e cobertores à cabeça», contará mais tarde em “A Criação do Mundo”.

Adolfo Rocha (Autor: Imagem em domínio público)

Adolfo Rocha (Autor: Imagem em domínio público)

Aí esteve um ano. Chegou a ajudar à missa, durante as férias, com grande enlevo para a mãe. Mas a decisão era outra. O Brasil era a única saída.

Partiu em 1920. Ficou em casa de uma tia que lhe impôs «como obrigação, em todos os dias carregar o moinho, mungir as vacas que davam leite para casa, tratar dos porcos, prender as crias das vacas, curar bicheiros e procurar pelos matagais as porcas e as reses paridas». Um ano depois estava de regresso a Portugal.

O tio prontificara-se a fazer de Adolfo Rocha um médico, custeando-lhe os estudos, em Coimbra. Aos 24 anos estava formado. Especializou-se em Otorrinolaringologia.

Começou por exercer clínica geral na sua aldeia. A experiência de Adolfo Rocha foi negativa. Instalou-se em Leiria, de que gostava. Mas por causa das tipografias, optou por voltar a Coimbra.

Depois de uma vida amorosa repartida, pelos sítios, por onde passava, Adolfo Rocha por casar pelo civil com a Prof.ª universitária (de Coimbra), a belga Andrée Cabrée: «vou tentar ser bom marido, cumpridor. Mas quero que saibas, enquanto é tempo, que em todas as circunstâncias te troco por um verso» (confessará em A Criação do Mundo, V).

Chegou a ser preso pela PIDE. Algumas vezes teve vontade de sair do país: «Mas abandonar a Pátria com um saco às costas? Para poder partir teria de meter no bornal o Marão, o Douro, o Mondego, a luz d e Coimbra, a biblioteca e as vogais da língua.

Sou um prisioneiro irremediável numa penitenciária de valores tão entranhados na minha fisiologia que, longe deles, seria um cadáver a respirar». Queriam fazer dele um socialista, quando se deu o 25 de Abril de 1974. Nunca se filiou em partido algum: «o meu partido é o mapa de Portugal».

Adolfo Rocha foi sempre um homem, socialmente difícil. Pouco comunicativo, falando com mais convicção do que razão.
«Uma das suas facetas menos atraentes do carácter de M.T. é a sua forretice. Chega a comprar livros com exemplares dos seus. De Leiria a Coimbra viajava sempre em 3ª classe. Foi ao estrangeiro, por diversas vezes, percorrendo boa parte da Europa, aproveitando sempre a boleia de dois amigos.

Quase não oferece livros a ninguém, recusa dedicatórias e autógrafos, nunca confiou os seus livros a nenhuma editora, preferindo sempre “edições do autor”, com pequena tiragem e no papel mais barato possível.» (António Freire, in Lendo M.T.).

Deixou 16 volumes dos seus Diários. Muitas obras suas foram traduzidas nas principais línguas de todo o mundo, incluindo em chinês.

Foi muitas vezes apontado como sério candidato ao Prémio Nobel da Literatura. Ganhou o prémio Luís de Camões, no valor de 10 mil contos (1989).

Imagens de Adolfo Rocha

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